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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Poroshenko diz que criou 'offshores' por "transparência"

PR ucraniano envolvido no caso 'Papéis do Panamá'.

06 de abril de 2016 às 12:15

O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou esta quarta-feira que criou várias sociedades em paraísos fiscais "por motivos de transparência" e para "separar os seus ativos gerados pela sua atividade empresarial" das suas funções públicas.

Poroshenko defendeu-se desta forma das acusações de que tem sido alvo depois de se saber que é o titular de três empresas "offshore", em resultado da divulgação pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa) de milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas 'offshore' em mais de 200 países e territórios.

"O meu caso é muito diferente de outros de ocultação de ativos. Não há nenhuma ligação com o Orçamento do Estado nem com as minhas funções públicas", afirmou o chefe de Estado ucraniano, numa conferência de imprensa em Tóquio, antes de se reunir com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

Poroshenko afirmou que o grupo Roshen, o conglomerado empresarial de que é proprietário e que criou em 2014 três empresas 'offshore' nas Ilhas Virgens, Chipre e Holanda, "operou sempre dentro da legalidade e com propósitos claros e transparentes".

A criação do Roshen "foi anunciada publicamente" e o grupo "nunca esteve envolvido em nenhuma atividade de especulação financeira nem de outro tipo", sublinhou Poroshenko, que convidou os jornalistas a "investigar os seus documentos públicos com profundidade", de forma a corroborarem as suas afirmações.

"Não se trata de uma conta opaca nem associada a outras empresas, nem registada com o nome de outros beneficiários, como em outros documentos dos 'papéis do Panamá'. Esta é a grande diferença no meu caso", afirmou.

Poroshenko declinou indicar se encara a hipótese de se demitir na sequência das revelações, como reclamam alguns líderes da oposição ucraniana, limitando-se a referir que confia numa "solução rápida" para a delicada situação política que atravessa a coligação a que preside, depois de ter ficado em minoria no parlamento.

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