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Porto de Antuérpia reabre após derrame de petróleo

Poluição exigiu uma vasta operação de limpeza que continuava em curso, mantendo-se inacessíveis a doca onde ocorreu o derrame acidental na quinta-feira à noite, bem como várias represas próximas.

10 de abril de 2026 às 16:28

O tráfego marítimo foi retomado esta sexta-feira à tarde no principal braço do rio Escalda que serve o porto belga de Antuérpia, após uma paragem causada por uma fuga de petróleo, anunciou a operadora da infraestrutura.

A poluição exigiu uma vasta operação de limpeza que continuava em curso, mantendo-se inacessíveis a doca onde ocorreu o derrame acidental na quinta-feira à noite, bem como várias represas próximas.

Apesar das restrições, "o Escalda está agora reaberto à navegação", anunciou a empresa Port of Antwerp-Bruges num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Pelo meio-dia (11:00 em Lisboa), um porta-voz do operador portuário tinha manifestado à AFP a esperança de um regresso total à normalidade do tráfego "dentro de 24 horas".

Com fortes ligações à China e aos Estados Unidos, Antuérpia é o segundo maior porto de mercadorias da Europa, depois de Roterdão, nos Países Baixos.

O derrame acidental de hidrocarbonetos ocorreu durante uma operação de abastecimento de um navio no terminal Deurganck, um dos principais do porto, na margem esquerda do Escalda.

A fuga foi travada e as operações de despoluição foram rapidamente iniciadas nos navios afetados.

"A poluição espalhou-se, no entanto, para o Escalda durante a noite", disse esta manhã a entidade gestora do porto.

A situação levou à suspensão de todo o tráfego na parte norte do porto, voltada para o alto mar, impedindo o acesso de navios porta-contentores e cargueiros que utilizam o Escalda.

Segundo os meios de comunicação belgas, cerca de 50 estavam bloqueados nos dois sentidos de circulação ao meio-dia.

A quantidade de petróleo derramada na água continua a ser desconhecida.

A empresa gestora, que administra conjuntamente os portos de Antuérpia e Zeebrugge, lamentou o incidente ao evocar o possível impacto "nas zonas naturais vulneráveis ao longo do Escalda".

"Estamos a fazer tudo o que é possível para limitar ao máximo os danos tanto operacionais como ecológicos", assegurou.

A transportadora marítima MSC confirmou que um dos seus navios esteve envolvido no incidente, recusando prestar mais esclarecimentos.

"A nossa prioridade é a segurança", declarou uma porta-voz da MSC na Bélgica à AFP, acrescentando que a empresa está focada na proteção "da tripulação, do terminal e da natureza".

A organização flamenga de defesa do ambiente Climaxi manifestou receio quanto ao risco para a biodiversidade em várias zonas vizinhas, incluindo o pólder (zona de terra baixa protegida por diques) de Doel, aldeia contígua ao porto de Antuérpia.

O gigantesco porto de Antuérpia, com dezenas de quilómetros de cais, é considerado um dos pulmões económicos da Bélgica.

Em 2025, movimentou 266,5 milhões de toneladas de carga, um recuo de 4% face ao ano anterior, devido a uma quebra no tráfego de granéis líquidos.

O transbordo de contentores progrediu ligeiramente em tonelagem (+0,4%, para 149,4 milhões t).

Barómetro da saúde da economia europeia e do impacto das crises geopolíticas, o porto indicou ter visto progredir, sobretudo, os volumes de importação, como o aço chinês ou o gás natural liquefeito (GNL) norte-americano.

No total, 20.236 navios transitaram pelo porto de Antuérpia em 2025 (+0,2%).

O número de navios de cruzeiro que fizeram escala em Zeebrugge baixou para 166, representando 466.089 passageiros.

O rio Escalda (chamado Escaut em francês e Schelde em neerlandês) nasce no norte da França, atravessa a Bélgica e, na zona de Antuérpia, toma a direção oeste para os Países Baixos.

Tem mais de 350 quilómetros de extensão e desagua no mar do Norte, na zona costeira de Vlissingen, no sudoeste dos Países Baixos.

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