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Portugal força UE a criar programa contra incêndios, mas quer ficar de fora

Tragédia de Pedrógão Grande motivou Europa a unir-se numa força comum de combate aos desastres naturais.
Sofia Martins Santos 8 de Outubro de 2019 às 15:15
Pedrógão Grande
Pedrógão Grande FOTO: Lusa

"65 pessoas morreram nos incêndios de Portugal em 2017, uma tragédia que impulsionou um sistema que proporcionará assistência aos países da União Europeia nos incêndios, terramotos e inundações". É assim que o jornal espanhol El Mundo começa a notícia sobre a força europeia que servirá para fazer face a estas situações de emergência. Portugal é o foco e a tragédia que assolou o país o grande motivo para a criação desta solução. No entanto, não faz parte dos países que aderiram ao sistema. 

O projeto começou a consolidar-se no verão de 2017, quando o mundo percebeu que os incêndios em Portugal não estavam a dar trégua. "A Europa respondeu aos portugueses. Deixámo-los sozinhos. Não podemos permitir que desastres como os que aconteceram em Portugal se repitam", destaca Christos Stylianides, comissário Europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises.

Desde então, explica a publicação espanhola, Christos Stylianides tem lutado para a união de todos os países, a prioridade é convencer os mais reticentes. O programa tem aviões e helicópteros prontos a intervir em qualquer país e o objetivo máximo de simplificar cada um dos procedimentos administrativos de forma a reduzir ao máximo o tempo de resposta.

No entanto, de momento, apenas sete países deram as mãos por este novo sistema. França, Itália, Espanha, Suécia, Chipre, Grécia e Croácia fazem parte. Já Portugal, apesar de ter dado o mote, viu o governo decidir que ficava de fora. Stylianides justifica a reservas de alguns países com as características próprias de cada país. "As adesões são lentas porque implicam uma série de procedimentos nacionais e cada país tem o seu processo", explica, acrescentando que a União Europeia tem de estar preparada e capacitada para dar resposta ao que o futuro reserva no seu pior. "Há países como a Suécia que nunca tinham sofrido tanto com um fenómeno como com o dos incêndios. Não importa o quão grande seja o país ou os recursos de que dispõe. Ninguém pode tratar sozinho dos desastres naturais que se avizinham".

A verdade é que, de acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, os desastres relacionados com as alterações climáticas têm sido responsáveis por deixar, anualmente, uma média de 150 milhões de pessoas a precisar de ajuda. Os custos anuais são pesados e rondam os cerca de 26.500 milhões de euros.

Prevê-se que o rescEU, o mecanismo europeu de proteção civil, esteja a todo o gás apenas em 2025. Até lá, a preocupação com o ambiente continua a intensificar-se e são cada vez mais as vozes que alertam para o facto de o impacto das alterações climáticas se estarem a manifestar de diversas formas.

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