Empresário foi raptado numa estação de abastecimento de combustíveis na manhã de 29 de julho de 2016, em Nhamapadz.
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O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, disse esta quarta-feira, em Lisboa, que o desaparecimento do empresário português Américo Sebastião não é um assunto de Estado, mas um caso concreto que o Governo moçambicano tudo fez para esclarecer.
"Queria que os portugueses percebessem que esse não é um assunto de Estado, pelo menos pela parte de Moçambique. Coisas como essas em Moçambique durante os 16 anos que tivemos de conflitos acontecem muito. Tenho muitos moçambicanos desaparecidos, tenho muitos estrangeiros desaparecidos, de todo o tipo de pessoas, incluindo alguns portugueses", disse Filipe Nyusi.
O chefe de Estado moçambicano falava aos jornalistas no Palácio Foz durante a conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro português António Costa no final da IV Cimeira entre os dois países.
Reconhecendo que o desaparecimento de um cidadão é um problema da "estabilidade de um país", Nyusi adiantou que a "preocupação número um" das autoridades moçambicanas é perceber porque é que um cidadão residente em Moçambique desaparece.
"Não pode acontecer", disse, adiantando que o Governo de Moçambique através dos seus serviços de justiça e segurança tudo fez para que esse caso fosse esclarecido, até ao momento sem sucesso.
Américo Sebastião foi raptado numa estação de abastecimento de combustíveis na manhã de 29 de julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringué, na província de Sofala, no centro de Moçambique, desconhecendo-se desde então o seu paradeiro.
Portugal ofereceu por várias vezes cooperação judiciária para se tentar localizar o empresário Américo Sebastião, mas as autoridades moçambicanas nunca deram seguimento.
No início do ano, a Procuradoria-Geral de Moçambique mandou avocar o processo, que tinha sido encerrado, no início de 2018, pela Procuradoria Provincial de Sofala, no centro de Moçambique, alegadamente por falta de elementos.
No esforço para encontrar Américo Sebastião, a mulher do empresário tem estado em contacto com as autoridades moçambicanas, incluindo a procuradora-geral de Moçambique, Beatriz Buchili.
Desde o rapto que nunca mais se soube do paradeiro de Américo Sebastião. O crime foi perpetrado por homens fardados, que algemaram o empresário e o colocaram dentro de uma das duas viaturas descaracterizadas com que deixaram o posto de abastecimento de combustíveis, segundo testemunhas.
Segundo a família, os raptores usaram os cartões de débito e crédito para levantarem "4.000 euros", não conseguindo mais porque as contas foram bloqueadas logo que foi constatado o desaparecimento de Américo Sebastião.
Além das petições à Assembleia da República moçambicana, Salomé Sebastião enviou uma carta ao Presidente moçambicano, no quadro dos esforços para encontrar o marido, mas não obteve resposta.
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