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Portugueses desenvolvem projetos de moda africana no Reino Unido

"Fui despedida e decidi aproveitar a oportunidade", contou Maria Moreira.
Lusa 21 de Março de 2021 às 08:46
Roupa - Imagem ilustrativa
Roupa - Imagem ilustrativa FOTO: Getty Images
As origens africanas levaram dois portugueses radicados em Londres a criar negócios de venda de roupa pela Internet, tendo Maria Moreira aproveitado o primeiro confinamento durante a pandemia Covid-19, no ano passado, para concretizar um sonho profissional. 

"Fui despedida e decidi aproveitar a oportunidade. Antes trabalhava a tempo inteiro e era difícil conjugar com a família. Já tinha alguns materiais, como réguas de modelagem, por isso foi só comprar os materiais e as máquinas", contou à agência Lusa

Abriu uma loja na plataforma Etsy chamada "Mya Moreira Fashion" e a primeira coleção, composta por casacos, saias, conjuntos, turbantes e outros acessórios feitos de panos com padrões africanos, esgotou. 

"O que eu faço é associar o tradicional para o uso do dia-a-dia. O início correu muito bem, mas agora estagnou. Estou à espera que os fornecedores voltem a ter mais estampados africanos", explicou. 

Apesar de ter nascido e crescido em Lisboa, desenvolveu um interesse pelas cores fortes e padrões africanos por influência da cultura dos pais cabo-verdianos, mas foi desencorajada de usar estes panos tradicionais quando estudou Design Têxtil e Moda na Modatex. 

Há cinco anos mudou-se para Londres, onde, perante a dificuldade em encontrar emprego na indústria da moda, acabou por aceitar um emprego administrativo nos correios britânicos enquanto completou uma licenciatura em gestão de empresas. 

Agora, estes conhecimentos estão a ser úteis, porque além de desenhar e costurar roupas, também oferece consultoria de desenho de roupa, aulas de costura pela Internet, aproveitamento e reciclagem de tecidos, desenvolvimento de negócios e outro tipo de serviços. 

"Decidi aplicar tudo o que sei. Dou apoio a pessoas que querem começar e desenvolver um negócio na moda, sou uma mentora", vincou a portuguesa de 31 anos, satisfeita por estar na área que sempre quis seguir, confessando: "Estou a recuperar o tempo perdido". 

Para Filipe Anjos, a "Afric Us" é mais do que uma marca de roupa africana, é um projeto de cariz social para promover o envio de material eletrónico e promover o ensino de educação tecnológica em São Tomé e Príncipe, de onde os pais saíram para viver em Portugal. 

"Não é um negócio", garante à Lusa o empreendedor de 27 anos, que nasceu em Lisboa, mas viveu em Espanha e fez carreira como futebolista e modelo de moda e tem desenvolvido interesses em dança e cinematografia. 

As primeiras t-shirts, sweatshirts, gorros e chapéus têm apenas a palavra Africa escrita e um punho levantado, logotipo da marca, mas Filipe Anjos está já em contactos com estilistas, artistas plásticos, ilustradores para futuras colaborações na criação de roupa original. 

Entretanto, a primeira entrega de material eletrónico a São Tomé e Príncipe foi atrasada por causa da pandemia covid-19, mas deverá acontecer ainda este semestre. 

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