"Há um medo maior de andar de metro ou mesmo de passar nas pontes", afirma Miguel Rosa.
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Quem vive e trabalha em Londres não esconde o receio de um novo ataque terrorista. "As pessoas andam assustadas. Tomo muita atenção a pequenos pormenores que não tomava no meu dia a dia", diz João Paulo Marques, 43 anos. É português mas vive em Londres desde 2008. Diariamente faz a distribuição de mercadorias por vários restaurantes e agora quando vê "um carro a alta velocidade" deixa-o passar primeiro. "Evito também zonas com muita gente. Já alterei a volta das entregas para ir por sítios com menos pessoas", diz. As mudanças são muitas vezes inconscientes, mas começam a acontecer.
Depois do ataque, a zona perto da Ponte de Londres ficou "congelada", diz Roberto Estreitinho, 28 anos, há três anos na cidade. "Normalmente esta estrada e esta zona da cidade estão com muita gente, agora está muita coisa bloqueada", afirma.
Miguel Falcão Rosa, vereador em Londres, conhece bem a cidade. Diz que em bairros problemáticos, multiculturais, os moradores tendem agora a olhar para o vizinho do lado de forma diferente. "Há um medo maior de andar de metro ou mesmo de passar nas pontes. Mas há uma grande calma, apesar do medo."
Sobre os próximos dias tem uma opinião muito própria: acredita que o pior ainda não passou. "Acho que isto está relacionado com as eleições. Infelizmente acredito que até quinta-feira haverá nova tentativa. Temo que haja células adormecidas que podem fazer qualquer coisa", afirma.
Muçulmanos contra o terrorismo distribuíram rosas e cartas
Terceiro terrorista tentou juntar-se ao Daesh na Síria
O terceiro autor do ataque de Londres, identificado ontem, é Youssef Zaghba, um cidadão ítalo-marroquino de 22 anos que no ano passado tentou viajar para a Síria para se juntar ao Daesh. "Vou ser um terrorista", disse à polícia quando foi detido no aeroporto de Bolonha, em Itália.
Com ele tinha um telemóvel com vídeos de propaganda do Daesh e um bilhete só de ida para Istambul. Apesar de ter sido libertado sem acusações, Zaghba, filho de pai marroquino e mãe italiana, fazia parte de uma lista de "pessoas de risco" e a sua identidade foi comunicada à polícia britânica.
Os outros dois autores do ataque são o paquistanês Khuram Butt, de 27 anos, e o marroquino Rachid Redouane, de 30 anos. Butt, que apareceu num documentário sobre jovens radicalizados, trabalhou no metro de Londres e teve acesso aos túneis por debaixo do Parlamento. Já Redouane casou-se em 2012 com uma britânica para ficar no país depois de o seu pedido de asilo ter sido rejeitado.
Desaparecida escapou a dois ataques
Mais duas vítimas identificadas
Já o francês Alexandre Pigeard, de 27 anos, foi esfaqueado por um dos terroristas em frente aos amigos no restaurante Boro Bistro, onde trabalhava. Vivia na capital britânica há dois anos e meio.
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