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Portugueses tentam resgatar sobrevivente soterrado em centro comercial na Venezuela

Vítima, um homem de 43 anos, encontra-se no terceiro piso do estacionamento de um centro comercial em Playa Grande, onde trabalhava como segurança.

30 de junho de 2026 às 14:05

Operacionais portugueses estão empenhados desde as 11h00 de segunda-feira (locais) no resgate de um sobrevivente em La Guaira, a região mais afetada pelo sismo duplo que abalou a Venezuela na semana passada.

A vítima, um homem de 43 anos, encontra-se no terceiro piso do estacionamento de um centro comercial em Playa Grande, onde trabalhava como segurança.

"Neste momento encontram-se a decorrer trabalhos de desobstrução na tentativa de chegar à vítima", relatou à Lusa o sargento da GNR Filipe Rocha, pouco depois das 07h00 locais (12h00 em Lisboa), numa altura em que a equipa portuguesa já estava a realizar a operação há cerca de 20 horas.

Segundo o militar, na noite passada "foi possível enfiar um tubo num buraco e dar-lhe água".

O homem, adiantou, "está consciente e tem respondido constantemente à chamada dos operacionais de resgate".

Sete operacionais portugueses estão envolvidos no resgate. A missão integra elementos da GNR, Proteção Civil, Bombeiros Sapadores de Lisboa e INEM.

Salvar este homem, seis dias depois dos sismos, é "um milagre", resumiu à Lusa o porta-voz da missão da Costa Rica, Ricardo Árias.

A equipa costa-riquenha detetou ainda no domingo que havia um sobrevivente no local, mas foi graças a um "sensor de alta tecnologia" dos portugueses que foi possível identificar "com precisão" a sua localização sob os escombros.

"Isso deu-nos ímpeto e vontade para continuar a trabalhar", comentou, afirmando que os operacionais se sentem "honrados por trabalhar lado a lado com muita gente".

Árias destacou o "trabalho importante" com Portugal, que "trouxe um impulso, quando muitos já tinham descartado a possibilidade de retirar" o sobrevivente.

O representante da equipa da Costa Rica também relatou que o homem "está bem", "já se hidratou" e "fala muito bem".

"Já estamos perto de o poder retirar", garantiu.

Na operação, além de Portugal, participam ainda equipas de resgate da Venezuela, Costa Rica, El Salvador e México, entre outras.

Dezenas de pessoas, incluindo familiares do sobrevivente, encontram-se no local, onde os militares colocaram baias e estão a impedir o acesso.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos pelo menos 1.719 mortos e 5.034 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, pelo menos 60 portugueses e lusodescendentes morreram e 87 estão desaparecidos.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

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