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Povos indígenas com menos probabilidades de contrair doenças cerebrais do que os europeus, aponta estudo

Investigadores referem que o sedentarismo e a dieta rica em gorduras saturadas são os principais fatores de risco para doenças cerebrais nos países desenvolvidos.

26 de maio de 2021 às 16:32

O povo indígena da região amazónica da Bolívia tem menos doenças cerebrais do que as populações americana e europeia. Segundo um estudo publicado no "Journal of Gerontology, Series A: Biological Sciences and Medical Sciences", esta quarta-feira, a diminuição do volume dos cérebros dos Tsiname é 70% mais lenta do que nas populações ocidentais.

Apesar do maior acesso a cuidados de saúde, a equipa de investigadores aponta o sedentarismo e a dieta rica em gorduras saturadas como os principais fatores deste fenómeno. Em contraste, o povo Tsiname tem pouco ou nenhum acompanhamento médico, mas são muito mais ativos e consomem alimentos ricos em fibra, como cereais, vegetais, peixe e carne magra.

"Os hábitos dos Tsiname explicam os efeitos potencialmente prejudiciais dos estilos de vida modernos na nossa saúde", revelou o autor do estudo, Andrei Irimia, professor de neurociência e engenharia biomédica na Escola de Gerontologia Leonard Davis da University of Southern California. "As descobertas sugerem que a atrofia cerebral pode ser retardada substancialmente pelos mesmos fatores associados a um risco muito baixo de doenças cardíacas". A atrofia cerebral é um sintoma associado à doença de Alzheimer e à demência.

Apesar de o estudo mostrar que o povo indígena tem níveis semelhantes de inflamação cerebral - sintoma relacionado com deterioração mental -, os seus cérebros mantêm-se mais saudáveis.

Os participantes tiveram de viajar dos seus locais de habitação para Trinidad, na Bolívia, a cidade mais próxima das aldeias indígenas com equipamento de tomografia computorizada para proceder a análise e comparação com sistemas cerebrais de europeus e americanos.

Participaram na investigação 764 adultos, com idades entre os 40 e os 94 anos.

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