João Lourenço refere que o Governo está a criar condições para reduzir as desigualdades e grandes carências.
O Presidente angolano, João Lourenço, considerou esta quinta-feira que as dificuldades ainda sentidas pelos angolanos não se comparam às vividas no período da guerra, sublinhando que o Governo está a criar condições para reduzir as desigualdades e grandes carências.
Numa declaração alusiva ao Dia da Paz e Reconciliação Nacional, que esta quinta-feira se assinala, João Lourenço afirmou que 22 anos depois do fim da guerra, que enlutou e dilacerou a nação angolana, os cidadãos vivem atualmente "uma realidade bem diferente".
Segundo João Lourenço, a normalização do funcionamento das instituições republicanas tem permitido que se fortaleçam as bases do Estado Democrático de Direito, se garanta a unidade nacional e se assegure a defesa da soberania nacional.
O chefe de Estado angolano citou que a recuperação das infraestruturas destruídas, o relançamento da vida económica, a desminagem dos campos, o que exigiu "um esforço gigantesco do Governo", com consequências que ainda hoje se refletem nas contas públicas.
João Lourenço apontou também os avultados investimentos nos sistemas de fornecimento de água potável e energia elétrica, "que já estão a beneficiar milhões de cidadãos", assim como na educação e na saúde, "com a construção de inúmeros estabelecimentos de ensino de diferentes níveis e centros de investigação, assim como a construção de um considerável número de novas unidades hospitalares em todo o país, sendo muitas delas de referência".
"A aposta na agricultura e na agroindústria, como forma de diversificar a nossa economia e reduzir a dependência do petróleo, tem merecido o interesse de investidores nacionais e estrangeiros", frisou.
De acordo com o Presidente de Angola, as dificuldades ainda sentidas não têm termo de comparação com as vividas no período da guerra, "quando centenas de milhares de pessoas perderam as suas vidas e os seus bens, se viram forçadas a deslocar-se dos seus lugares de origem e tiveram de sobreviver em condições difíceis de imaginar".
"Embora subsistam desigualdades e muitas famílias sofram grandes carências, estamos a criar as condições para as reduzir, criando programas de apoio a elas destinados e adotando políticas para melhorar as condições de vida da população em geral", afirmou João Lourenço, congratulando-se com a possibilidade de os angolanos hoje circularem "dia e noite em todo o território nacional".
Para o chefe de Estado angolano, apesar de mais difíceis e demoradas, a pacificação dos espíritos, a recuperação dos traumas causados pela guerra e a completa reconciliação nacional, atingiram-se já resultados positivos e a harmonia social é hoje uma vitória de todos os angolanos.
João Lourenço frisou que no campo político também se registaram melhorias, com as normais disputas num regime democrático a serem dirimidas nos tribunais, com eleições livres e regulares e um parlamento que integra partidos de diferentes ideologias e com diferentes propostas políticas, no quadro da Constituição da República.
"Não surpreende, por isso, que Angola se apresente como um exemplo em África e não é por acaso que o país é chamado a utilizar a sua experiência na resolução de conflitos como medianeiro no diálogo entre as partes desavindas, tanto na Região dos Grandes Lagos, como na África Central", referiu.
O acordo de paz em Angola foi assinado a 4 de abril de 2002 entre as chefias militares das Forças Armadas Angolanas e as extintas Forças Armadas de Libertação de Angola, ex-braço armado da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), após a morte em combate do líder histórico do partido do principal partido da oposição, Jonas Savimbi, acabando com 27 anos de guerra civil.
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