Empresa Cosco, filial dos estaleiros estatais do regime de Pequim, pretende adquirir 35% do terminal do porto comercial de Hamburgo.
O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, alertou esta quarta-feira contra "a forte dependência" em relação à China referindo-se ao controlo comercial do porto de Hamburgo por capitais chineses, admitindo os erros da Alemanha face à Rússia.
"A lição que deveríamos aprender é a de que temos de reduzir, o mais possível, as dependências unilaterais", disse Steinmeier à televisão pública ARD, após uma deslocação a Kiev.
As declarações do Presidente da Alemanha enquadram-se na polémica que marca a atualidade política no país por causa dos planos da empresa Cosco, filial dos estaleiros estatais do regime de Pequim, que pretende adquirir 35% do terminal do porto comercial de Hamburgo.
O negócio tem sido criticado pelos Verdes e pelo Partido Liberal (FDP), parceiros da coligação governamental liderada pelo social-democrata Olaf Scholz, ex-autarca de Hamburgo.
O Conselho de Ministros que se vai realizar esta quarta-feira em Berlim deve aprovar, ou não, a decisão sobre o negócio de aquisição que, segundo a imprensa alemã, pode vir a contemplar a participação de capitais chineses até 24,9%, para limitar a capacidade da Cosco no porto comercial de Hamburgo.
Além da questão relacionada com o porto de Hamburgo, também tem sido criticada a próxima visita do chanceler Olaf Scholz à República Popular da China, acompanhado de uma delegação empresarial, retomando o mesmo tipo de missões comerciais aprofundadas pela ex-chanceler Angela Merkel.
O chefe de Estado respondia esta quarta-feira a questões sobre a própria responsabilidade como presidente alemão nas decisões de Berlim em relação à compra do gás russo.
Na opinião do chefe de Estado, a Alemanha deve procurar de "forma mais intensa" acordos comerciais com outros países do sudeste asiático, um mercado de 700 milhões de pessoas.
Steinmeier, que não nomeou os países, afirmou que as eventuais futuras relações com os outros Estados do sudeste asiático não devem "substituir" as ligações comerciais com a República Popular da China mas sim "complementá-las".
O chefe de Estado alemão realizou na terça-feira uma visita à capital da Ucrânia, uma deslocação delicada do ponto de vista político porque no passado mês de abril, após a nova invasão russa, a presença de Steinmeier em Kiev foi considerada "não desejada".
O político alemão é apontado em Kiev como tendo feito parte da "linha pró russa" de Berlim praticada tanto pelo ex-chanceler Gerhard Schroder (1998-2005) e por Angela Merkel (2005-2021).
O atual chefe de Estado alemão foi ministro do Governo de Schroder, o ex-chanceler amigo e aliado do Presidente russo, e depois ministro dos Negócios Estrangeiros do executivo de Angela Merkel.
Durante os anos em que Schroder foi chanceler, iniciou-se a construção do primeiro gasoduto entre a Rússia e a Alemanha (Nord Stream 1) e que entrou em funcionamento em 2011, e durante os governos de Merkel foi consolidada a dependência energética ao decidir-se a construção do gasoduto Nord Stream 2.
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