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Presidente da Argentina afirma em Davos que "o mundo começou a despertar" e a "América será o farol"

Milei contrastou as "boas notícias" do seu discurso deste ano com as advertências que fez nas suas polémicas apresentações de 2024 e 2025 no mesmo foro.

21 de janeiro de 2026 às 22:09

O presidente argentino afirmou esta quarta-feira no Fórum de Davos, na Suíça, que "o mundo começou a despertar", numa alusão à vitória de candidatos da direita e extrema-direita em países da América, e que esta região "será o farol".

"O ano de 2026 é o ano em que vos trago boas notícias: o mundo começou a despertar. A melhor prova disso é o que está a acontecer na América, com o renascer das ideias de liberdade", afirmou Javier Milei, que nos últimos meses celebrou de forma efusiva as vitórias de candidatos conservadores em países como o Chile, Bolívia e Honduras.

Perante este cenário, o chefe de Estado argentino considerou que "a América será o farol de luz que voltará a acender todo o Ocidente e com isso pagará a sua dívida civilizacional, como demonstração de gratidão para com as suas bases na filosofia grega, no direito dos romanos e nos valores judaico-cristãos".

"Temos pela frente um futuro melhor, mas esse futuro melhor existe se voltarmos às raízes do Ocidente, isto é, a evoluir para as ideias da liberdade, que Deus bendiga o Ocidente, que as forças do céu nos acompanhem e viva a liberdade", concluiu o presidente argentino.

Milei contrastou as "boas notícias" do seu discurso deste ano com as advertências que fez nas suas polémicas apresentações de 2024 e 2025 no mesmo foro.

"Já faz algum tempo, que o Ocidente, por alguma razão estranha, começou a virar as costas às ideias de liberdade. E por isso, neste mesmo lugar, no ano de 2024, afirmei que o Ocidente está em perigo por ter abraçado doses crescentes de socialismo na sua versão mais hipócrita, que é o 'wokismo'", sublinhou.

"Por sua vez, em 2025, expliquei os parasitas mentais que a esquerda semeou na humanidade", resumiu.

O discurso deste ano foi mais moderado do que os anteriores, consistindo quase na totalidade numa apresentação teórica sobre as virtudes do "capitalismo de livre iniciativa", que disse ser "justo e eficiente".

Para tal, o chefe de Estado argentino citou vários economistas ultraliberais, como o espanhol Jesús Huerta de Soto, e também afirmou: "Maquiavel morreu".

O presidente argentino defendeu também este ano que a Inteligência Artificial (IA) trará "maior crescimento e bem-estar" e salientou que "os políticos devem deixar de incomodar aqueles que estão a tornar o mundo melhor".

Na sua intervenção deste ano, o mandatário argentino também considerou que a IA é "um potenciador de rendimentos crescentes e, assim, de maior crescimento e bem-estar".

"Para dizê-lo mais diretamente: os políticos devem deixar de incomodar aqueles que estão a tornar o mundo melhor", insistiu, numa alusão às tentativas estatais de regular a aplicação da Inteligência Artificial, já que também mencionou os Estados.

Além disso, enfatizou que "todos os receios associados a cenários distópicos são uma tolice".

Nessa mesma linha, Milei fez uma defesa firme da não intervenção estatal na economia, ao considerar que "a intervenção e a regulação são dinamicamente ineficientes por serem violentas e, portanto, injustas".

Neste contexto, vangloriou-se das profundas reformas que o seu Executivo levou a cabo na Argentina desde a sua chegada à Presidência.

"Desde a chegada à Administração em 2023, realizámos, graças ao trabalho hercúleo do ministro [da Desregulação e Transformação do Estado] Federico Sturzenegger, 13.500 reformas estruturais, as quais hoje nos permitem ter uma economia mais eficiente e dinamica, o que nos permite voltar a crescer. Isto é 'Make Argentina Great Again'", acrescentou.

Em 2025, Milei tinha realçado, entre outras questões, que "a ideologia de género é abuso infantil" e associou a homossexualidade à pedofilia, uma declaração que provocou protestos massivos em Buenos Aires e noutras cidades do mundo.

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