O presidente peruano Alan García confessou ontem em público ter um filho ilegítimo de um ano, fruto de uma relação extramatrimonial com uma economista.
Os rumores já se arrastavam há algum tempo na Imprensa, mas no fim-de-semana um dos jornais de maior circulação identificou finalmente a criança, forçando García a vir a público admitir o seu ‘pecado’. Ladeado pela esposa e primeira-dama, Pilar Nores, García, de 58 anos, confirmou que a criança, Federico, de um ano, é fruto da sua relação com Roxana Cheesman, uma economista com quem manteve uma relação extramatrimonial durante um breve período em que esteve separado da esposa, há dois anos. “Pretendo desta forma acabar com todas as especulações”, afirmou o chefe de Estado, que foi bastante criticado por só ter decidido contar toda a verdade depois de a Imprensa revelar o nome da criança.
García, que no final de Julho tomou pela segunda vez posse como presidente do Peru – 16 anos depois de ter sido o mais jovem chefe de Estado do país – prometeu que Federico terá o seu nome e que as portas da sua casa estarão sempre abertas para ele, assegurando que a criança terá os mesmos direitos que todos os outros filhos do presidente.
O chefe de Estado justificou ainda a sua decisão de fazer uma confissão pública através da televisão afirmando que os peruanos, que o elegeram, têm o direito de saber tudo sobre todos os aspectos da sua vida.
O pequeno Federico é o sexto filho de García, que teve outros cinco filhos com Pilar Nores. A decisão de perfilhar o filho ilegítimo poderá estar ligada ao facto de o próprio García só ter conhecido o seu pai aos seis anos, embora por diferentes motivos. Carlos García Ronceros era um destacado activista político, e foi preso poucos meses após o nascimento do filho, só saindo da cadeia quando Alan já tinha seis anos. Durante muito tempo, o pequeno Alan tratou o pai como ‘senhor García’.
POUCO IMPACTO
Apesar da sensação que o caso está a gerar no Peru, os analistas são unânimes ao considerar que o escândalo não deverá afectar grandemente a popularidade de García, que em Agosto rondava os 63 por cento. Isto porque, segundo afirmam os principais comentadores peruanos, além de o caso já não ser propriamente uma novidade para o público, o presidente tomou a “decisão certa” ao admitir em público os seus erros e prometer cuidar da criança como se fosse qualquer outros dos seus filhos legítimos.
García, recorde-se, foi eleito em Junho após ter batido na segunda volta das presidenciais o populista Ollanta Humala, considerado o ‘Hugo Chávez do Peru’, mas esta não é a primeira vez que ocupa o cargo. Já tinha sido presidente entre 1985 e 1990, período em que o Peru atravessou uma das suas mais graves crises económicas, com uma hiperinflação recorde de 7000 por cento e graves acusações de corrupção contra o governo, as quais forçaram García a viver no exílio durante o mandato do seu sucessor, Alberto Fujimori.
APOIO DA PRIMEIRA-DAMA
A confissão pública de Alan García através da televisão foi feita ao lado da primeira-dama Pilar Nores, com quem continua casado apesar da admissão de infidelidade, que resultou no nascimento de um filho ilegítimo. Durante a sua comunicação ao país, García fez mesmo questão de frisar que foi a própria esposa a insistir com ele para contar toda a verdade aos peruanos, e lhe manifestou sempre todo o seu apoio. O presidente acrescentou ainda que o facto de a esposa o ter perdoado e o apoiar nesta hora difícil demonstra que Pilar é a melhor primeira-dama que o Peru podia ter. Recorde-se que o ‘affaire’ extramatrimonial de García com a economista Roxana Cheesman ocorreu durante um breve período em que o agora presidente esteve separado da esposa, há cerca de dois anos, não se sabendo os motivos que conduziram a essa separação.
Filho de activistas políticos, Alan García estudou Direito e iniciou a sua carreira política como deputado em 1978, na Assembleia Constituinte. Os seus frequentes ataques de fúria valeram-lhe na altura a alcunha de ‘Cavalo Louco’, o que não o impediu de vencer a corrida à Presidência em 1985. Durante o mandato de Fujimori, viveu no exílio na Colômbia e em França, antes de regressar ao Peru em 2001, sendo novamente eleito presidente este ano.
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