Carlos Agostinho do Rosário disse ainda que se avizinham muitos "desafios" e "oportunidades" para a economia.
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O primeiro-ministro moçambicano defendeu em Nova Iorque que as expetativas sobre os investimentos externos em Moçambique devem ser bem geridas, para que os anúncios não se "tornem problemas".
Numa entrevista ao canal de informação da ONU divulgada esta quarta-feira, Carlos Agostinho do Rosário comentou assim, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, os recentes anúncios de investimentos na ordem dos milhares de milhões de dólares em Moçambique por parte do Banco Mundial ou empresas de exploração de petróleo e de gás natural.
O primeiro-ministro moçambicano disse ainda que se avizinham muitos "desafios" e "oportunidades" para a economia e que o país deve apostar na formação e preparação dos jovens para o futuro, nomeadamente em educação superior e formação técnico-profissional.
O primeiro-ministro moçambicano considerou que os investimentos "vão ser muito bons", porque "vão gerar muito mais postos de emprego, mais rendimento (...) e obviamente que muitos setores vão ser dinamizados", mas alertou que "a gestão das expectativas é determinante, para que esses anúncios não se tornem problemas para o país".
O governante moçambicano sublinhou que "no momento do anúncio dos grandes biliões de dólares de investimentos, não significa que o país já os tenha" ou que vá receber imediatamente o dinheiro.
Carlos Agostinho do Rosário disse que a economia do país tem de ser diversificada e reforçada em várias frentes, tal como nos setores da energia, agricultura, turismo ou infraestruturas, para que Moçambique não fique "refém dos recursos energéticos".
"Temos de diversificar a economia", exigiu o primeiro-ministro, dizendo que vários setores têm de crescer "de uma maneira muito mais paralela com o setor energético", pois são as atividades de exploração de gás e petróleo que reúnem mais investimentos.
"Não podemos deixar que o nosso país fique refém dos recursos naturais", reiterou o primeiro-ministro, que assegurou que muitos setores essenciais vão receber "a sua quota-parte em termos de ser apoiados por esses investimentos".
O chefe do Governo moçambicano previu que muitos empregos na construção de infraestruturas vão começar já este ano, na fase de reconstrução depois dos ciclones Idai e Kenneth que ocorreram em março e abril.
"Muitos empregos virão aí, vão começar já este ano (...) na fase da construção", disse o primeiro-ministro à ONU News.
Os investimentos externos em Moçambique levam o Governo a prever um crescimento do PIB duas vezes maior do que o atual, a médio-longo prazo.
"Prevemos que a médio longo prazo Moçambique tenha um crescimento do PIB de duas ou três vezes mais do que nós temos neste momento", comentou Carlos Agostinho do Rosário quanto aos anúncios de vários investimentos de que o país vai ser alvo, principalmente na exploração de gás e petróleo.
Um consórcio liderado pela petrolífera norte-americana Anadarko formalizou na semana passada, em Maputo, um investimento de 25 mil milhões de dólares (22,2 mil milhões de euros) para extração, liquefação e exportação de gás natural a partir de 2024.
O projeto da Área 1 na bacia do Rovuma é visto como o "maior investimento da história do continente africano" e as suas obras já decorrem há ano e meio, entrando agora na fase principal.
Já o Banco Mundial anunciou, esta semana, ter aprovado um financiamento de 420 milhões de dólares (369 milhões de euros) para fortalecer a rede elétrica moçambicana e da África Austral.
Ao nível da cooperação internacional, os governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América assinaram, em 19 de junho, em Maputo, um memorando de entendimento para impulsionar as trocas comerciais e a remoção de barreiras aos investimentos.
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