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Proprietários de postos de combustível em Moçambique surpresos com acusações de apoio ao terrorismo

Reações às acusações do Presidente da República de que operadores do setor têm financiado grupos armados.

26 de agosto de 2022 às 09:19

A Associação dos Revendedores e Retalhistas de Combustíveis em Moçambique (AROMOC) manifestou, esta sexta-feira, surpresa com as acusações do Presidente da República de que operadores do setor têm financiado grupos armados que atuam no norte do país.

"Acreditamos que se o Presidente da República falou naqueles moldes é porque tem informação, mas, por outro lado, entendemos que o assunto é de foro confidencial, já que [Filipe Nyusi] não achou oportuno indicar nomes" de gasolineiras que patrocinam a violência armada na província de Cabo Delgado, disse o presidente da AROMOC, Nelson Mavimbe, em declarações ao semanário moçambicano Savana.

Mavimbe assinalou que as autoridades são responsáveis pelo perfil das gasolineiras que operam no país, dado que os postos de combustível são licenciados pelo Estado.

"Existem entidades públicas responsáveis. São essas que têm o dever de verificar quem são as pessoas que requerem esses negócios, a sua idoneidade e o seu acompanhamento", afirmou.

A AROMOC, prosseguiu, já solicitou ao Governo para fazer parte do processo de licenciamento das gasolineiras, mas ainda não obteve resposta.

"Isso [a falta de resposta] faz com que pessoas apareçam, vão ao Governo pedir licenças e abram bombas sem a nossa participação ou conhecimento", enfatizou Nelson Mavimbe.

No país, funcionam 600 revendedores de combustíveis, mas apenas 60 estão filiados à AROMOC.

Na segunda-feira, o Presidente moçambicano denunciou a existência de proprietários de postos de combustível na província de Sofala, no centro de Moçambique, que usam o negócio para lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo em Cabo Delgado, no Norte.

"Há proliferação de bombas de combustíveis na vossa província, não estou a proibir. Mas que usem métodos legais [...] Nós temos informações de pessoas que usam estes meios para subsidiar o terrorismo", declarou o chefe de Estado moçambicano.

Filipe Nyusi falava durante uma reunião com os conselhos executivo e de representação do Estado na província de Sofala, centro de Moçambique, onde realiza uma visita de trabalho.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, alguns destes empresários suspeitos de financiamento ao terrorismo encontram-se foragidos.

"Algumas pessoas, proprietários de bombas de combustível, fugiram. Quando os fomos procurar, tinham desaparecido. Eram donos de algumas bombas [postos de combustível]", frisou o chefe de Estado moçambicano, exigindo uma ação mais pujante de fiscalização da Autoridade Tributária.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas está a ser aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda, a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

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