Atuação dos 'Mossos D'Esquadra' muito criticada, até pelo executivo de Pedro Sánchez.
O líder dos 'Mossos d'Esquadra', a polícia catalã, admitiu esta sexta-feira que não descarta a hipótese de Carles Puigdemont continuar em Espanha.
"Não acredito no que os políticos disseram sobre a sua saída de Espanha", disse Eduard Sallent numa conferência de imprensa, em alusão aos comentários recentes de Jordi Turull, secretário-geral do Junts per Catalunya, partido fundado pelo independentista.
Debaixo de fogo pela atuação muito criticada em Espanha, já que não conseguiu deter Puigdemont, o líder dos 'Mossos' defende que não se vai demitir.
A somar ao falhanço na captura do catalão está a colaboração de dois agentes da polícia regional, que foram detidos por suspeitas de terem colaborado na fuga.
"Há muitas pessoas que têm responsabilidade pública por terem dificultado o trabalho dos 'Mossos'. Essas pessoas deviam assumir responsabilidades", acrescentou Sallent, naquilo que é entendido como uma referência não só a Turull, mas também a Josep Rull.
Governo quebra silêncio
O Governo espanhol reagiu pela primeira vez, pela voz do ministro da Presidência e da Justiça, Félix Bolaños, que aproveitou para descartar culpas pelo sucedido.
Apontado como culpado pela oposição, o líder do Governo Pedro Sánchez não deu a cara. Ele que em 2019 prometeu "trazer [Puigdemont] de volta a Espanha [para] prestar contas com a Justiça".
"Todo o dispositivo policial que devia assegurar a investidura no Parlamento catalão e garantir que se cumpria a ordem do Supremo Tribunal e aplicar a detenção a Puigdemont estava ao cargo dos 'Mossos'", disse Bolaños. "São a polícia competente", reiterou.
O Supremo Tribunal de Espanha pediu explicações ao ministério do Interior e aos 'Mossos d'Esquadra' sobre a fuga do independentista catalão. O juiz Pablo Llarena exigiu conhecer "os elementos que determinaram o fracasso" da 'Operação Jaula', bem como os principais responsáveis pelo desenho da operação.
"Correu tudo como planeado"
O advogado de Puigdemont, Gonzalo Boye, anunciou, esta sexta-feira, que o independentista catalão conseguiu fugir de Espanha, em declarações à rádio RAC1.
Boye adiantou que o político deverá prestar declarações entre "hoje ou amanhã". "Correu tudo como ele tinha planeado. Ele não vinha entregar-se, vinha para lutar".
Turull acrescentou dados à informação sobre a fuga, confirmando o regresso de Puigdemont a Waterloo, na Bélgica, onde tem estado exilado nos últimos anos.
O independentista tem um mandado de detenção em Espanha, de onde saiu em 2017, na sequência de um referendo para determinar a independência da Catalunha, considerado ilegal pelos tribunais espanhóis.
Dia atribulado em Espanha
Apesar do mandado, Puigdemont regressou na quinta-feira à Catalunha, num dia marcado por uma sucessão de eventos que provocou um enorme caos no país vizinho.
Turull disse que o fundador do Junts tinha como objetivo voltar a Espanha para participar na investidura que deu ao parlamento catalão um novo líder. No entanto, o independentista, depois de ter discursado em público perante centenas de apoiantes, nunca chegou ao parlamento.
"Ele não veio a Espanha para ser detido, mas para exercer os seus direitos políticos", assegurou Turull, também à RAC1.
Depois de discursar, Puigdemont desapareceu no meio do cordão humano que o acompanhava e entrou num Honda branco - emprestado por um agente da polícia - segundo Turull, para não dar oportunidade aos fotógrafos de o captarem a ser detido.
Também Turull já teve problemas com a justiça e chegou a estar detido entre 2018 e 2021, mas foi amnistiado pelo governo espanhol. É, desde 2022, secretário-geral do partido fundado por Puigdemont.
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