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Qatar anuncia morte do antigo emir xeque Hamad

Governante do Qatar, que transformou a pequena nação do Golfo Pérsico num interveniente global na diplomacia, faleceu aos 74 anos.

12 de julho de 2026 às 22:51

A União Europeia, a União Africana e o primeiro-ministro palestiniano, Mohamed Mustafa, lamentaram hoje a morte do antigo emir do Qatar Hamad bin Khalifa Al Thani, que catapultou a pequena nação do Golfo para o palco internacional.

A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, destacou a sua "visão e liderança" no alcance de uma "sólida associação" entre a União Europeia e o Qatar. "Entristece-me o falecimento", disse a comissária, destacando o "papel decisivo na configuração do Qatar moderno e a melhoria da sua posição na cena internacional".

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, manifestou a sua "profunda tristeza" pela morte do antigo governante, e destacou a sua sabedoria ao transformar o Catar num importante "ator global": Al Thani "será recordado como um líder visionário cuja sabedoria e habilidade política transformaram o Catar num ator global de grande relevância", sublinhou Youssouf num comunicado.

O seu legado, considerou, "caracteriza-se pelo seu firme compromisso com o diálogo, a mediação e a diplomacia, e pela sua convicção no poder das soluções pacíficas para enfrentar os desafios regionais e globais", declarou o chefe da Comissão da UA, concluindo que em África o governante será recordado como "um parceiro valioso que promoveu a paz, o desenvolvimento e a cooperação Sul-Sul, ao mesmo tempo que fomentou relações sólidas e duradouras entre o Estado do Qatar e o continente africano".

Entre as reações que estão a ser avançadas pelas agências internacionais estão também as do primeiro-ministro palestiniano, Mohamed Mustafa, que apresentou "as mais profundas condolências" a manifestou solidariedade para com a família real, as autoridades e a população do Qatar pela perda do antigo governante.

O xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, que enquanto governante do Qatar transformou a pequena nação do Golfo Pérsico num interveniente global na diplomacia, faleceu aos 74 anos, anunciou a agência estatal qatari, sem revelar a causa da morte.

"É com corações firmes na fé, na vontade e no destino de Deus que o Diwan do emir lamenta o falecimento de Sua Alteza o emir pai, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani --- que Deus lhe conceda a Sua misericórdia ---, uma grande perda para a nação", anunciou o gabinete do emir, citado pela Agência de Notícias do Qatar.

O xeque Hamad, que tinha destituído o seu pai, o xeque Khalifa, durante uma revolução palaciana em 1995, demitiu-se surpreendentemente em junho de 2013 a favor do seu quarto filho, o xeque Tamim, após 18 anos como emir, e foi o arquiteto de grandes transformações no Qatar, país rico em recursos energéticos, que o transformaram de um local remoto num "hub" internacional em menos de uma geração.

Fundador da estação de televisão árabe Al Jazeera, que se tornou uma força importante nos meios de comunicação globais, o xeque Hamad procurou o prestígio internacional do emirado de várias formas, desde o investimento em ativos icónicos, como o Harrods em Londres, a principal loja de artigos de luxo em todo o mundo, ao desporto - cujo esforço foi coroado pelo sucesso da candidatura do Qatar para acolher o Campeonato do Mundo de Futebol de 2022.

O Qatar tornou-se também com o xeque Hamad uma potência diplomática. Ao longo dos anos, a sua mediação foi posta em prática no conflito na região de Darfur, no oeste do Sudão, nas disputas entre fações libanesas e na divisão entre as fações palestinianas do Hamas e da Fatah.

Durante a Primavera Árabe, o Qatar enviou aviões de combate para as missões lideradas pela NATO na Líbia contra as forças de Muammar Kadhafi e prestou ajuda militar e financeira fundamental aos rebeldes líbios vitoriosos e, numa das últimas iniciativas antes da abdicação do xeque Hamad, abriu formalmente um escritório para os talibãs do Afeganistão, o que preparou o terreno para as negociações entre os Estados Unidos e os talibãs, que acabaram por conduzir à retirada caótica da NATO e dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021.

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