Sem cessar-fogo, putin pode continuar a bombardear a ucrânia.
No rescaldo dos primeiros encontros que pretendem restituir a paz à Ucrânia, há um deve e haver inquinado que os ucranianos - os da rua, não os que, como Volodymyr Zelen- sky, ocupam a ‘Bankova’, em Kiev - não entendem. É certo que a paz, ainda longínqua, parece por estes dias menos distante, mas até agora a narrativa pacificadora tem incidido naquilo que o agredido terá de ceder ao agressor. Os territórios ganhos no Donbass e mesmo aqueles que ainda não conquistou, como Kramatorsk. Da Crimeia, ocupada pelos russos desde 2014, nem uma palavra. Mas há mais exigências: renegar a adesão à NATO, tendo como contrapartida uma alternativa ao Artigo 5.º, numa solução de meio-termo que ainda ninguém conseguiu explicar bem como se aplicaria. Hipótese que Donald Trump já deixou claro que não implica tropas dos EUA em solo ucraniano, o que não é propriamente uma surpresa. O Presidente dos EUA também ajuda Putin quando acredita numa paz que não passe por um cessar-fogo. Assim, Putin poderá continuar a bombardear, como aconteceu ainda na terça-feira à noite com o disparo de dois mísseis balísticos sobre Odessa e um ataque que deixou Zaporizhzhia às escuras.
É evidente que após mais de 11 anos de guerra, se a referência for a tomada da Crimeia, ou três anos e meio, se considerarmos a invasão de fevereiro de 2022, terá de existir uma visão pragmática da situação. Acontece que os ucranianos não poderão aceitar uma discussão de cedência territorial que assente apenas em percentagens como Putin, ajudado por Trump, parece estar empenhado. O que se discute quando se fala de território não se mede em hectares e muito menos na defesa das populações russófonas. Se assim fosse, Moscovo não teria reduzido a escombros cidades como Mariupol ou Bakhmut. A questão é a importância estratégica dessas conquistas e o que elas representam para a Rússia e o que a sua perda significará para a Ucrânia. Resta saber até onde as partes serão capazes de ceder e se Zelensky quer ficar para a história como o Presidente que aceitou mutilar uma parte da Ucrânia, cuja mudança de fronteiras, a propósito, exige uma maioria qualificada de dois terços no Parlamento. Que Zelensky não dispõe.
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