Alvin Hellerstein, de 92 anos, começa esta segunda-feira a julgar o presidente da Venezuela e a mulher num tribunal em Nova Iorque. Já teve em mãos casos de Shakira e Harvey Weinstein.
Com 92 anos, Alvin Hellerstein foi o juiz escolhido para presidir, esta segunda-feira, a primeira audiência do processo criminal contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores. Os dois, detidos numa prisão em Brooklyn, vão ser ouvidos num tribunal em Manhattan, em Nova Iorque, às 12h00 locais (17h00 em Lisboa).
Alvin Hellerstein nasceu em Nova Iorque em 1933, estudou na Universidade de Columbia e iniciou a sua carreira profissional no Corpo de Auditores Gerais do Exército dos EUA. Durante várias décadas foi advogado de clientes privados e só em maio de 1998 foi nomeado juiz do Distrito Sul de Nova Iorque pelo presidente Bill Clinton.
A partir de 2011, assumiu o cargo de magistrado sénior até aos dias de hoje.
Alvin Hellerstein é, atualmente, um dos juízes federais em atividade há mais tempo, segundo o La Voz de Galicia. Alvin esteve no caso do processo que a editora Mayimba Music lançou contra a cantora Shakira pela música "Loca". Segundo o La Voz de Galicia, o juiz considerou que a versão em espanhol da referida canção era uma cópia ilegal de uma música anterior do cantor Ramón Arias Vázquez.
Durante a sua carreira, destaque ainda para a sua intervenção no processo interposto pelos proprietários das Torres Gémeas do World Trade Center contra a American Airlines e a United Continental na sequência dos ataques terroristas do 11 de setembro. Neste processo judicial, as companhias aéreas eram acusadas de lapsos nas verificações das condições de segurança. Alvin Hellerstein decidiu rejeitar o recurso das companhias aéreas.
Em abril de 2025, o juiz norte-americano participou em decisões relacionadas com o bloqueio da deportação de imigrantes por considerar que violavam garantias constitucionais básicas. Foi também Alvin Hellerstein que concluiu não existirem provas suficientes para condenar o produtor de cinema Harvey Weinstein por agressões sexuais.
Na acusação de Nicolás Maduro, é referido que o presidente venezuelano dirigiu uma organização criminosa estruturada, composta por altos responsáveis civis, militares e de segurança, "desde 1999 até 2025". Alegadamente, esta rede criminosa era responsável pelo contrabando de grandes quantidades de cocaína para os Estados Unidos da América.
Além disso, os EUA, alegam que o presidente da Venezuela "criou grupos para executar raptos, agressões e homicídios de indivíduos que deviam dinheiro".
Nicolás Maduro está acusado de quatro crimes principais: conspiração por narcoterrorismo, conspiração por importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.
Maduro foi capturado na sequência da operação militar dos EUA na Venezuela na madrugada do passado sábado.
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