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Correio da Manhã

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Radicais islâmicos suspeitos da decapitação de dez pessoas em Moçambique

País foi colocado no mapa das ameaças jihadistas desde outubro do ano passado.
30 de Maio de 2018 às 17:48
Polícia procura suspeitos de radicalismo islâmico
Polícia procura suspeitos de radicalismo islâmico
Polícia procura suspeitos de radicalismo islâmico
Polícia procura suspeitos de radicalismo islâmico
Polícia procura suspeitos de radicalismo islâmico
Polícia procura suspeitos de radicalismo islâmico
A polícia iniciou uma perseguição aos suspeitos do ataque armado a uma povoação rural na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, onde foram decapitadas dez pessoas, entre as quais duas crianças, no passado domingo.

Segundo avança a rádio Voz da América, as autoridades acreditam que o grupo atacante tem ligações ao radicalismo islâmico, o que coloca aquele país africano no mapa de ameaças jihadistas. Em outubro do ano passado, recorde-se, o ataque a uma mesquita em Mocímboa da Praia despertou para esse potencial perigo naquela zona norte de Moçambique, junto à fronteira com a Tanzânia.

Inácio Dina, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), acredita que os dois ataques estejam relacionados e que os suspeitos sejam responsáveis por outros ataques esporádicos naquela região.

"Este é um grupo que foi amplamente fragilizado", referiu durante uma conferência de imprensa, em Maputo, acrescentando que os crimes de domingo representam "um total desespero, em tentar buscar algum protagonismo", contrariando a ideia de que esta escalada de violência signifique um aumento da ameaça à segurança em Cabo Delgado. Pelo contrário, refere, os agressores procuram "fazer vincar que este grupo ainda existe", fazendo crer que "tem uma musculatura" que, segundo a PRM, não tem.

Uma investigação baseada em 125 entrevistas em Cabo Delgado, divulgada na última semana, concluiu que a desestabilização é feita por células dispersas que usam o radicalismo islâmico para atrair seguidores, aos quais pagam rendimentos acima da média, financiados por rotas de comércio ilegal de madeira, rubis, carvão e marfim, daquela região para o estrangeiro.

Estes grupos incluem membros de movimentos radicais que têm sido perseguidos a norte pelas autoridades do Quénia e Tanzânia, refere o mesmo estudo, segundo o qual alguns elementos terão sido treinados por milícias da região dos Grandes Lagos que por sua vez também têm ligações ao grupo terrorista al-Shabaab, na Somália.

Os ataques surgiram numa altura em que estão a avançar os investimentos no terreno para exploração de gás natural em Cabo Delgado, prevendo-se que a produção arranque dentro de cinco a seis anos, no mar e em terra, com o envolvimento de algumas das grandes petrolíferas mundiais.
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