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Rebeldes houthis do Iémen acusam ONU de parcialidade

Houthis condenaram "tentativas de pressionar" o grupo para que guarde silêncio sobre a "agressão israelita na região".

16 de abril de 2026 às 11:51

Os rebeldes houthis acusaram esta quinta-feira o enviado especial da ONU Hans Grundberg de parcialidade por ter advertido que o envolvimento do grupo na guerra do Médio Oriente podia comprometer as negociações de paz no Iémen.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros dos houthis, grupo iemenita aliado do Irão, condenou os avisos de Grundberg sobre as consequências dos ataques dos rebeldes contra Israel e contra embarcações norte-americanas no Mar Vermelho.

A diplomacia dos houthis considerou que as declarações do enviado perante o Conselho de Segurança da ONU na terça-feira se alinham com as posições dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Os houthis condenaram "tentativas de pressionar" o grupo para que guarde silêncio sobre a "agressão israelita na região".

"Vincular o processo de paz do Iémen a tais condições mina as negociações", disse o grupo que controla amplas zonas do país e a capital, Saná, no comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Grundberg afirmou que existe uma "preocupação mundial" com o alargamento da guerra no Médio Oriente a outra frente, face a relatos que considerou preocupantes de movimentos de tropas no país árabe situado na margem do mar Vermelho.

O diplomata sueco alertou que as consequências para a população iemenita "poderão ser graves".

"O Iémen não se livrou desta guerra", avisou Grundberg.

O Irão ameaçou na quarta-feira bloquear a navegação no mar Vermelho se prosseguir o bloqueio norte-americano aos portos iranianos iniciado na segunda-feira, após terem fracassado as negociações com Washington para o fim da guerra.

O Irão não tem fronteira com o mar Vermelho, mas os aliados houthis poderão atacar navios na região a partir de posições montanhosas no país do sudoeste da península da Arábia.

Grundberg reafirmou a importância de manter a "liberdade de navegação" no mar Vermelho e no golfo de Áden, vias que têm sido alvo de ataques repetidos dos hutis contra o transporte marítimo desde 2023.

Apelou para que se abstenham de novos ataques contra a navegação e para que seja protegido o processo de paz com o Governo internacionalmente reconhecido, com o qual mantêm uma trégua desde 2022.

Os rebeldes negam qualquer relação entre as operações navais e o avanço do processo de paz interno, acusando Grundberg de assumir uma "postura hostil" por não ter alcançado progressos políticos ou humanitários durante o seu mandato.

O Iémen está mergulhado numa guerra entre os houthis e o Governo internacionalmente reconhecido desde 2014, quando os rebeldes tomaram Saná.

O conflito levou à intervenção, em 2015, de uma coligação liderada pela Arábia Saudita em apoio ao executivo sediado na cidade portuária de Áden, a cerca de 400 quilómetros a sudeste de Saná.

Após um período de expectativa inicial, os hutis iniciaram no final de março uma intervenção direta no atual conflito regional, com ataques de drones e mísseis contra Israel.

A guerra em curso no Médio Oriente foi desencadeada por uma ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Teerão respondeu com ataques contra Israel e interesses norte-americanos nos países da região, e com um bloqueio do estreito de Ormuz, por onde circula um quinto dos recursos energéticos que abastecem os mercados internacionais.

A guerra já causou mais de quatro mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e as subidas nos preços de energia criaram o receio de uma recessão económica global.

As partes concordaram num cessar-fogo de duas semanas até 22 de abril para conversações entre os Estados Unidos e o Irão, que fracassaram numa primeira ronda realizada no fim de semana em Islamabad.

O Paquistão, que está a mediar o processo, admitiu novos contactos nos próximos dias.

Após o fracasso das negociações em Islamabad, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou o bloqueio aos portos iranianos, a que Teerão respondeu com a ameaça de paralisar toda a navegação comercial no mar Vermelho e nos golfos Pérsico e de Áden.

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