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Redes criminosas cobram até 15 mil euros para transportar migrantes de Ceuta

Grupos criminosos investem em novas embarcações, com capacidade para mais migrantes que pretendam chegar à Península Ibérica. Autoridades dão conta de mais de 140 detenções.

09 de outubro de 2026 às 13:42

"Dizem-lhes, quando estão a uma certa distância, para saltarem para o mar, e se não o fizerem, serão mandados de volta para Ceuta": é assim que um oficial do Exército espanhol descreve a atuação de grupos criminosos que transportam migrantes em barcos de narcotráfico. Não têm uma rota estratégica de circulação, nem um ponto definido. Apesar do aumento da vigilância, este tipo de embarcações continua a sair de Ceuta para transportar quem procura chegar ao território da Península Ibérica, prática que se mantém desde a crise migratória provocada pela entrada em massa de migrantes na cidade, em julho deste ano. 

O preço das viagens pedido pelos grupos criminosos varia entre os 8 e os 15 mil euros, como relata um oficial do Exército ao El Español, com os migrantes a enfrentarem "condições difíceis" e a serem, na maioria dos trajetos, deixados no mar para ainda nadarem vários metros até chegarem a terra. Tudo isto é planeado para evitar a apreensão da embarcação ou que sejam detidos pela polícia. 

 "O preço aumentou devido ao risco que as viagens passaram a representar para as máfias", refere o oficial. "Conhecemos imigrantes que pagaram 15 mil euros por viagem e não conseguiram realizá-la", diz. 

"Recebemos muitos telefonemas porque os moradores ouvem os barcos", relata o oficial. As autoridades dão conta de que os grupos organizados passaram a investir em novas embarcações. "O negócio tem sido lucrativo [para as organizações criminosas] e, por isso, estão a investir em novos veículos para transportar mais pessoas", refere em entrevista ao jornal espanhol. 

O principal ponto de partida é Benzú, embora as autoridades espanholas tenham vindo a detetar outros igualmente relevantes próximos ao Monte Hacho. Como principais pontos de entrada estão os portos de Cádiz, Algeciras, Murcia e Málaga, ainda que em menor escala, este último. Dados das autoridades espanholas apontam para 149 pessoas detidas neste mesmos pontos, com mais de 100 embarcações detetadas, ainda que nem todas tenham sido apreendidas. 

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