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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

REFORMA DE PUTIN RECRIA O ANTIGO KGB

Guiado por uma fé totémica na pirâmide do poder, o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou por decreto uma ambiciosa reestruturação dos Serviços Federais de Segurança (ramo interno do antigo KGB, rebaptizado FSB em 1995) com vista a optimizar a sua cadeia de comando.

22 de julho de 2004 às 00:00

Como resultado da reforma (que ainda deverá ser aprovada pelo Parlamento) são reintegrados serviços que anteriormente partilharam instalações sob a sigla do KGB, o mítico Comité de Segurança Estatal que encabeçou a contra-espionagem e a repressão da dissidência interna durante a era soviética.

A sigla do FSB deu passagem a um novo Ministério da Segurança Estatal (previsivelmente com as siglas MGB), que receberá a espionagem externa do SVR (herdeiro do Primeiro Directório do KGB), e ao corpo de guarda-costas do FSO, ou Serviço Federal de Protecção (antigo departamento número nove do KGB).

Curiosamente, os Serviços Secretos da ex-URSS já usaram a denominação MGB entre 1946 e 1953, um ano antes de serem rebaptizados como KGB. Segundo o diário ‘Gazeta’, o novo ministério “terá praticamente todas as funções do KGB soviético”.

Segundo o director adjunto do FSB, general Yevgueni Lóvirev, o objectivo da reforma é “delimitar com mais clareza as faculdades e responsabilidades das unidades estruturais do FSB”.

O número de directores adjuntos do FSB será reduzido de 12 para quatro, enquanto a figura do director – actualmente encarnada por Nikolai Patrushev – amplia os seus poderes, o que lhe permitirá “determinar o número e a composição do estado maior do FSB”.

O novo organismo deixará de investigar crimes não vinculados com a segurança do Estado (terrorismo ou espionagem). Esta competência, que actualmente é partilhada pelo Ministério das Finanças, o Ministério do Interior e o FSB, recairá sobre um novo Serviço Federal de Investigação (FSR).

PROMOÇÃO DE AMIGOS

Membro do KGB entre 1975 e 1991, Putin converteu-se há quatro anos no segundo estadista russo – depois do secretário do PCUS Yuri Andropov – a ter dirigido os Serviços de Espionagem. Desde então, Vladimir Putin promoveu ex-companheiros dos Serviços Secretos às mais altas instâncias do poder, como é o caso do ministro da Defesa, Serguei Ivanov, ou o ministro do Interior, Rashid Nurgalíev (ex-vice-director do FSB).

Desde a Comissão Extraordinária (Cheka) criada por Lenine em 1917 até ao KGB fundado em 1954, um rosário de siglas coroou a Polícia secreta soviética: GPU, OGPU, GUGB, NKGB, MGB e MVD.

Em 1993 o KGB foi substituído pelo Serviço Federal de Espionagem (FSK) antes de chegar a ser o actual FSB, a partir de 1995.

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