Brasil só conta neste momento com doses da Coronavac, aquela que o presidente Bolsonaro não queria, chegando a dizer que os homens que a tomassem poderiam "transformar-se em jacarés" e as mulheres poderiam "passar a ter barba".
A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o regulador brasileiro para a área de saúde, aprovou este domingo o uso de emergência de duas vacinas contra o Coronavírus, a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, e a inglesa desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório Astrazeneca, que será produzida também pelo Instituto Fiocruz, do Rio de Janeiro. As duas vacinas foram aprovadas em reunião extraordinária de mais de cinco horas da direcção colegiada do órgão, realizada em Brasília e transmitida ao vivo pela televisão, o que reflete o enorme interesse do tema para os brasileiros.
Na prática, no entanto, o Brasil só conta neste momento com um desses imunizantes, a Coronavac, única vacina que já tem doses prontas para uso em território brasileiro e, ironicamente, aquela que o presidente Jair Bolsonaro não queria, chegando a dizer que os homens que a tomassem poderiam "transformar-se em jacarés" e as mulheres poderiam "passar a ter barba" como efeitos colaterais da substância. Já a entrega das primeiras doses da fabricada pela Astrazeneca na índia, e que o governo Bolsonaro tinha garantido que chegariam ao Brasil neste domingo mas foram recusadas pelo país oriental por estar em plena vacinação dos seus 1350 milhões de habitantes, ainda não tem prazo para chegar, e a Fiocruz, do Rio de Janeiro, ainda não tem insumos para iniciar a produção no país.
O Butantan possui neste momento seis milhões de doses da Coronavac enviadas da China prontas para uso, já dentro das respectivas seringas e com agulhas. O instituto paulista também já tem insumos para a fabricação de outros 4,8 milhões de doses, perfazendo 10,8 milhões.
É com essas doses, as já prontas e as em producção no Butantan, que o governo de Jair Bolsonaro pretende iniciar imediatamente a vacinação dos chamados grupos de risco, como profissionais da saúde, idosos com doenças pré-existentes e indígenas isolados em aldeias na Amazónia. O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou sexta-feira numa reunião com mais de 130 autarcas de todo o país que pretende começar a imunização na próxima quarta-feira, dia 20 de Janeiro, mas uma disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória, pode atrapalhar tudo.
GUERRA SUJA
Adversários políticos ferrenhos, tanto Bolsonaro quanto Doria querem, cada um deles, ser o primeiro a dar início à imunização, para ganharem um importante trunfo político, numa guerra suja que tem como principais perdedores os 210 milhões de habitantes do Brasil, onde cerca de 8,5 milhões de pessoas já foram infetadas pelo Coronavírus, e quase 210 mil já morreram em consequência da Covid-19. Ambos os governantes são pré-candidatos às presidenciais de 2022 e, apesar do tempo que ainda falta para essa eleição, já estão a degladiar-se publicamente, inclusive com ataques de baixo nível, com o governador paulista a chamar Bolsonaro de "facínora que gosta do cheiro da morte" e o chefe de Estado a dizer que Doria "não é homem, é um pilantra".
Desde sexta-feira, o Ministério da Saúde enviou vários ofícios ao Instituto Butantan, que Doria tutela, exigindo a entrega imediata dos seis milhões de doses já prontas da Coronavac, fazendo até ameaças se isso não se concretizar. Já o director do Butantan, Dimas Covas, aliado de Doria, diz que entrega as vacinas, sim senhor, mas só depois de o Ministério da Saúde dizer quantas doses vão caber a São Paulo, estado mais populoso do Brasil, com 45 milhões de habitantes, para ficar já com a quantidade de doses que lhe for atribuída.
Para o governo de São Paulo, não há qualquer lógica em o Instituto Butantan enviar todas as doses para o Ministério da Saúde, para depois este órgão lhe devolver as doses a que tem direito. Já o Ministério da Saúde, no que é encarado como uma forma de tentar evitar que João Doria comece a vacinação antes de Bolsonaro, exige receber os seis milhões de doses, afirmando que só depois disso anunciará quantas doses o estado de São Paulo vai receber e quando.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.