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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Revista Economist diz "está na altura" de Dilma ir embora

Gota de água terá sido o convite a Lula da Silva para o Governo.

23 de março de 2016 às 22:36

A revista The Economist considera num artigo de opinião que "está na altura" de a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, demitir-se, sendo a gota de água o convite a 'Lula' da Silva para o Governo.

Segundo um artigo de opinião que será publicado na quinta-feira nas primeiras páginas da revista, o convite ao antigo Presidente Luis Inácio Lula da Silva para entrar no Governo "foi o momento em que a Presidente escolheu os interesses particulares da sua tribo política sobre o Estado de direito, e assim mostrou-se inapta para continuar na Presidência".

O artigo, que passa em revista a recessão no Brasil, o aumento do desemprego e da inflação, o impasse parlamentar que impede a aprovação das reformas políticas e económicas e a degradação das condições de vida dos brasileiros, lembra que "as dificuldades aprofundam-se há meses" e defende que até ao momento do convite ao antigo Presidente, Dilma "podia dizer com uma cara séria que queria que a justiça funcionasse".

Agora, sentencia a revista, "afastou esse resquício de credibilidade" ao tomar a "extraordinária decisão de apontar o seu antecessor para ser o seu chefe de gabinete".

Mesmo que a intenção não fosse proteger o antigo Presidente da investigação, "foi esse o efeito", acrescenta o artigo de opinião, que lembra que a revista continua a defender que na ausência de provas de ilegalidade, "a destituição de Dilma é ilegal".

A Economist considera que o processo de destituição apresentado pelo alegado encobrimento do verdadeiro valor do défice orçamental no ano passado "parece ser um pretexto para demitir uma Presidente impopular", o que considera ser um "precedente preocupante" porque "as democracias representativas não devem ser governadas pelos protestos e pelas sondagens".

A saída de Dilma, seja através de provas de que obstruiu a investigação sobre a Petrobras ou que recebeu verbas que financiaram ilegalmente a sua campanha de 2014, são duas possibilidades, mas a revista defende que o melhor mesmo é a demissão, "que ofereceria ao Brasil a hipótese de começar de novo".

No entanto, este seria apenas o primeiro passo para relançar o Brasil: "Tirar o Brasil da confusão atual requer uma mudança generalizada", defende a Economist, apontando a necessidade de "controlar a despesa pública, incluindo nas pensões, acabar com os impostos e as leis laborais que impedem o crescimento, e reformar um sistema político que encoraja a corrupção e enfraquece os partidos políticos".

Estas medidas, conclui a revista, não podem ser adiadas: "Aqueles que cantam 'Fora Dilma' nas ruas reclamariam vitória se ela saísse, mas para o Brasil ganhar seria apenas o primeiro passo".

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