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Rios assustam com subida de caudais e autoridades lançam alertas em Moçambique

Ciclone Kenneth foi o primeiro, desde que há registos, a atingir o Norte de Moçambique, onde provocou cinco mortos.
27 de Abril de 2019 às 18:02
Ciclone Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone tropical Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone tropical Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone tropical Kenneth
A população da aldeia de Maguedi, no norte de Moçambique, juntou-se este sábado toda na ponte sobre o rio com o mesmo nome para ver a subida das águas, depois do ciclone Kenneth.

"A água ontem estava normal e depois dessa noite está assim", revolta e alta, descreve Faito Carimo, morador na aldeia.

Já há árvores meio submersas e a corrente é barulhenta, ao bater nas colunas da ponte, e impõe respeito.

Faito mora junto à margem do rio e está, por isso, vigilante, como todos os que vivem na aldeia, com medo que a água lhes invada as casas.

Um outro ciclone, Idai, que se abateu em março sobre o centro do país, criou lagos que cobriram aldeias, forçando os moradores a refugiarem-se nos telhados e ceifando cerca de 600 vidas.

Em Cabo Delgado, província atingida pelo ciclone Kenneth, não se prevê o mesmo tipo de cenário, apesar de haver ordens de evacuação de algumas zonas sob risco de inundação - o ciclone já se dissipou, mas o prognóstico é de chuva intensa.

Como o céu continua muito cinzento, a população prefere invadir a ponte e medir a olho a subida do rio.

Para já, o que se perdeu, "foram muitas machambas", hortas familiares, diz Faito, e isso é um drama, porque significa que, a prazo, vai haver mais fome.

"O rio está a encher desde a tarde de ontem [sexta-feira] e continua enchendo. Já causou muitos danos no milho e na mandioca", descreve Che Habadre, outro morador de Maguedi.

Nos outros anos, "não é assim", descontando 2014 e 2015, ano em que a água cobriu a ponte, recorda Serafim Mamudo, outro morador.

A Direção Nacional de Recursos Hídricos emitiu hoje um aviso para subida do caudal de duas bacias: uma é a do rio Messalo, mais a norte (abragendo Muidumbe e Macomia), e outra do rio Megaruma, mais a sul, no extremo de Cabo Delgado que faz fronteira com a província de Nampula - no caso, esta subida de caudal está a inundar as zonas baixas de Mecúfi e Chiure, podendo interromper a ligação rodoviária entre os dois distritos.

O ciclone Kenneth foi o primeiro, desde que há registos, a atingir o Norte de Moçambique, onde provocou cinco mortos, segundo número oficiais e numa altura em que ainda decorrem levantamentos em zonas mais remotas.

Quase 3.500 casas foram parcial ou totalmente destruídas, pelo menos 16 mil pessoas foram afetadas pelo ciclone e há mais de 18 mil pessoas em 22 centros de acomodação.
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