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Correio da Manhã

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Ruas ‘limpas’ para receber o Papa

O Papa Bento XVI inicia hoje a sua primeira visita pastoral a África, que inclui deslocações aos Camarões e a Angola, onde assinalará 500 anos do início da evangelização. Para receber o Sumo Pontífice da Igreja Católica, que permanecerá quase uma semana no continente africano, as autoridades camaronesas expulsaram milhares de vendedores das ruas da capital, Yaounde, e reforçaram a segurança.
17 de Março de 2009 às 00:30
Os camaroneses estão ansiosos pela visita do Sumo Pontífice
Os camaroneses estão ansiosos pela visita do Sumo Pontífice FOTO: Finbarr O’Rilley/Reuters

Desde a semana passada que as autoridades municipais de Yaounde têm vindo a demolir todos os pontos de comércio ilegais na Baixa da cidade, deixando sem sustento muitas famílias. O objectivo é ‘limpar’ as ruas da capital camaronesa durante a recepção ao Santo Padre. Por outro lado, foi amplamente reforçada a segurança em Yaounde, onde Bento XVI estará até sexta-feira.

Durante a visita aos Camarões, o Papa avistar-se-á com o presidente Paul Biya, um católico fervoroso. "Esta visita é uma dádiva para os Camarões, porque a Igreja Católica tem-se demonstrado muito dinâmica no país", declarou Biya, que tem sido acusado de "falta de democracia" e de incapacidade para travar a corrupção no país, recentemente apontado como o mais corrupto do Mundo.

Ainda na sexta-feira, o Papa rumará a Luanda, onde permanecerá até segunda-feira, dia em que terminará a visita a África. Em Angola, Bento XVI referir-se-á às responsabilidades da comunidade internacional no continente africano.

Recorde-se que o antecessor de Bento XVI, João Paulo II, visitou os os Camarões por duas vezes (1985 e 1995) e deslocou-se uma vez a Angola (1992).

AVANÇO DE SEITAS EM ANGOLA

A alguns dias da visita do Papa, o bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, afirmou numa entrevista que o avanço das seitas e das igrejas evangélicas em Angola – onde 60 por cento da população é católica –, pode estar relacionado com uma falha da Igreja Católica no diálogo com os fiéis e com os métodos pastorais. "Um dos aspectos em que temos de pensar é por que é que, em certos ambientes, como nos centros urbanos, há uma adesão maior às seitas", adiantou o bispo, que lidera a comissão episcopal que organizou a visita de Bento XVI. "Há qualquer coisa na Igreja Católica que não está bem ou então não estamos muito atentos às sensibilidades espirituais destas pessoas", referiu .

Segundo D. Filomeno Vieira Dias, as seitas e as confissões evangélicas – mais de 800 em Angola – são um fenómeno mundial para o qual se podem encontrar vários motivos, como as dificuldades de natureza social.

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