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Rússia prolonga por três meses fornecimento de gás à Sérvia e a metade do preço

Volume acordado, de seis milhões de metros cúbicos por dia, poderá aumentar em caso de necessidade, como um frio invulgar ou outras evoluções imprevistas.

30 de março de 2026 às 14:44

O Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, anunciou esta segunda-feira que a Rússia vai continuar a fornecer gás à Sérvia nos próximos três meses por metade do preço atualmente praticado no mercado europeu.

A gigante estatal russa Gazprom vende gás à Sérvia ao abrigo de um acordo que expira na terça-feira, 31 de março, mas Vucic disse ter alcançado um compromisso com o homólogo russo, Vladimir Putin, para prosseguir com o abastecimento.

"Em vez de 690 dólares (599 euros, ao câmbio atual) por cada mil metros cúbicos (de gás), que é o preço atual, pagaremos 320-330 dólares (entre 277 e 286 euros). Creio que se trata do segundo melhor preço na Europa, depois da Bielorrússia. Estou muito grato a Putin por isso", declarou Vucic, citado pela agência sérvia Tanjug.

O volume acordado, de seis milhões de metros cúbicos por dia, poderá aumentar em caso de necessidade, como um frio invulgar ou outras evoluções imprevistas, especificou o governante.

Vucic afirmou ter fechado este acordo com Putin numa "conversa boa, exaustiva e construtiva", que durou cerca de 50 minutos e na qual abordaram todas as questões de cooperação mútua.

O contrato de fornecimento de gás tinha sido renovado no final de dezembro de 2025 e dois meses antes Vucic tinha informado que a Gazprom se recusou a assinar uma prorrogação de longo prazo.

Na altura, o Presidente sérvio sugeriu que a posição russa visava pressionar Belgrado a não nacionalizar a empresa petrolífera NIS, maioritariamente controlada pela Gazprom e sujeita a sanções dos Estados Unidos desde outubro.

Em 31 de dezembro, os Estados Unidos concederam uma licença temporária à NIS, o que lhe permitiria retomar a produção até 23 de janeiro.

Em 20 de janeiro deste ano, o Governo sérvio anunciou um acordo preliminar para vender a NIS à empresa húngara MOL, com a aprovação da Gazprom.

Foi desta forma que Belgrado resolveu a pressão dos Estados Unidos e da União Europeia para reduzir a presença da Rússia no seu setor energético, em resultado das sanções impostas às empresas russas após a guerra na Ucrânia.

Praticamente 80% do gás que a Sérvia consumiu em 2024 (cerca de 2.212 milhões de metros cúbicos, de um total aproximado de 2.800 milhões) provinha da Rússia.

Cerca de 13% foi importado do Azerbaijão e quase 7 % foi coberto pela produção interna. Apesar de ser um país candidato à adesão à União Europeia, a Sérvia mantém relações estreitas com a Rússia.

O gás, tal como o petróleo, subiu de preço devido à guerra no Médio Oriente iniciada em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

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