Executivo espanhol apresentou, na semana passada, um pacote de 18 medidas para responder a reivindicações dos agricultores.
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, considerou esta quarta-feira justas a maioria das reivindicações dos agricultores que se têm manifestado no país e afirmou que "precisam de uma resposta" por parte da União Europeia (UE).
Questionado sobre as manifestações, que esta quarta-feira levaram milhares de pessoas ao centro de Madrid, Sánchez manifestou "máxima empatia com a maioria das reivindicações" dos agricultores e disse que o Governo de esquerda que lidera as considera "justas e que evidentemente precisam de uma reposta por parte da Comissão Europeia".
Espanha, segundo afirmou o governante, enviou esta quarta-feira uma carta à Comissão Europeia a pedir para atender às reivindicações dos agricultores relacionadas com a burocracia, que consideram excessiva, e as designadas "cláusulas espelho" (imposição às importações das mesmas regras e exigências que são impostas à produção dentro do espaço europeu).
Na semana passada, o executivo espanhol apresentou um pacote de 18 medidas para responder a reivindicações dos agricultores, mas as três maiores confederações agrícolas do país decidiram manter os protestos, apesar de reconhecerem "avanços importantes".
O ministro da Agricultura, Luis Planas, reconheceu que as 18 medidas são, em boa parte, competência da UE e, por isso, o compromisso é propô-las e defendê-las em Bruxelas.
Entre essas propostas estão várias para flexibilização de regras da Política Agrícola Comum (PAC), a simplificação de procedimentos e diminuição de burocracia e mais exigências para produtos importados do exterior da UE.
Espanha é o primeiro exportador da UE de frutas e legumes.
Sánchez, que respondia a perguntas dos jornalistas em Marrocos, no final de uma visita oficial a este país, reiterou que o Governo espanhol tem apoiado a agricultura e que só nos últimos dois anos desbloqueou ajudas de 4.000 milhões de euros para o setor, para responder ao impacto da guerra na Ucrânia, da inflação e da seca.
O primeiro-ministro, que é defensor do acordo comercial da UE com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), sublinhou que nos últimos anos a agricultura espanhola ganhou competitividade e Espanha passou a exportar mais produtos agrícolas do que importa, pelo que a abertura a mercados externos "também interessa" aos agricultores nacionais.
Sánchez considerou que a resposta para a agricultura vai e tem de ir "para lá" do "negacionismo das alterações climáticas" e do "anti-europeismo" de alguns partidos de direita e extrema-direita, como os que tutelam a agricultura em governos regionais em Espanha.
Pelo menos 4.000 pessoas, com 500 tratores, manifestaram-se esta quarta-feira em Madrid, no 16.º dia consecutivo de protestos de agricultores em toda a Espanha contra políticas e regulamentos europeus.
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