Região do Brasil mais afetada pela pandemia registou novo recorde diário de contágios.
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O estado de São Paulo, a região do Brasil mais atingida pela pandemia de Coronavírus, ultrapassou esta sexta-feira a marca das 100 mil pessoas infectadas pela doença e registou um novo recorde diário de contaminações.
Apesar dos alarmantes números, divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde e que mostram um forte avanço de casos e de mortes, o governador paulista, João Dória, pretende iniciar esta segunda-feira um processo de reabertura gradual de comércios, centros comerciais e outras actividades.
De acordo com o órgão regional de Saúde, o estado de São Paulo, onde vivem aproximadamente 45 milhões de pessoas, tinha esta sexta-feira 101.556 infectados com Coronavírus. Com a confirmação de mais 5600 infectados nas últimas 24 horas, de quinta para sexta, o maior número em um único dia desde que o primeiro caso foi registado, em 26 de Fevereiro, ficou claro que a pandemia avança de forma descontrolada pelo estado, como, aliás, por todo o restante do Brasil.
O número de mortos pela Covid-19, a doença provocada pelo Coronavírus, também bateu uma outra triste marca em São Paulo esta sexta-feira, o que, para muitos especialistas, principalmente infectologistas ouvidos pela imprensa, desaconselha claramente a flexibilização das medidas de quarentena neste momento. Nas últimas 24 horas já computadas pela secretaria regional, o estado de São Paulo registou 295 novas mortes devido a complicações provocadas pelo Coronavírus, aumentando o total de vítimas fatais da doença no território paulista para 7.275 vítimas, o maior número entre todos os 27 estados brasileiros.
Há uma semana, João Dória anunciou que, devido ao avanço da pandemia em São Paulo, o governo regional já tinha criado um protocolo para adoptar o chamado "lockdown", ou seja, o confinamento total e obrigatório da população, uma vez que parte significativa dos habitantes das 645 cidades paulistas, incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro, contrário ao isolamento, continuava a desrespeitar as medidas voluntárias decretadas até agora. O autarca da cidade de São Paulo, Bruno Covas, onde se registaram mais da metade das mortes e das infecções, também defendeu o confinamento total, pois os hospitais públicos já estavam à beira do colapso, com mais de 92% das camas de cuidados intensivos já ocupadas.
De repente, e apesar do crescimento de mortes e infectados, Dória, um grande empresário que nega ter tomado a decisão por pressão do forte empresariado paulista, anunciou um programa de reabertura das cidades, dependendo o grau e a rapidez da abertura da situação de cada município, favorecendo no entanto a capital.
O autarca de São Paulo, Bruno Covas, no entanto, não podendo ou não querendo bater de frente com o governador, mas sabendo que a reabertura prevista no cronograma para começar já esta segunda-feira iria provocar uma matança de inocentes, optou por criar uma série de regras e exigências municipais que, na prática, vão dificultar a comerciantes e empresários reabrirem os seus negócios antes de meados de Junho, até se ver o comportamento da pandemia e os novos meios de combate que será possível conseguir até lá.
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