page view

Seis pessoas transplantadas no Rio de Janeiro descobrem que receberam órgãos infetados com HIV

Primeiro caso foi descoberto a 10 de setembro quando um doente que recebeu um coração começou a passar muito mal, nove meses após o transplante.

11 de outubro de 2024 às 17:37

Numa situação gravíssima e inédita no Brasil, seis pessoas beneficiadas com transplantes na cidade brasileira do Rio de Janeiro descobriram agora, apavoradas, que os órgãos que receberam estavam infetados com o vírus HIV, que leva à SIDA. A denúncia foi divulgada esta sexta-feira pela rádio Band News FM, de São Paulo, e deixou estarrecidos, além dos próprios doentes que receberam os novos órgãos, também médicos e autoridades.

O primeiro caso foi descoberto em 10 de setembro quando um doente que recebeu um coração começou a passar muito mal, nove meses após o transplante, e depois desse outros cinco já foram confirmados, mas as autoridades do estado do Rio de Janeiro e do Ministério da Saúde mantiveram-nos em segredo. Só após a denúncia feita esta sexta-feira é que esses órgãos governamentais confirmaram o gravíssimo erro e avançaram as primeiras informações sobre presumíveis culpados e as medidas que tomaram para evitar novos casos semelhantes.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, SES-RJ, a culpa pelo trágico acontecimento foi de um laboratório particular, identificado pelo órgão como PCS Lab Saleme, da cidade de Nova Iguaçu, na área metropolitana da capital fluminense. Sempre segundo a SES-RJ, esse laboratório foi contratado em Dezembro do ano passado para realizar as testagens sorológicas nos órgãos doados para transplantes e não detetou que pelo menos seis deles estavam infetados pelo vírus.

Ainda na informação avançada à imprensa esta sexta-feira, os responsáveis pela área da Saúde do Rio de Janeiro afirmaram que o laboratório particular, além de ter sido imediatamente descredenciado, foi interditado. Agora, as análises sorológicas aos órgãos destinados a transplantes passaram a ser realizadas pelo HEmoRio, o laboratório oficial do estado fluminense.

Além disso, avançou a SES-RJ, todas as bolsas de sangue doadas desde Dezembro passado, quando o laboratório agora interditado passou a ser responsável pela fiscalização, estão a ser reanalisadas. Uma comissão multidisciplinar foi criada para acolher e dar todo o atendimento necessário às seis pessoas que receberam os órgãos infetados, e a Polícia Civil (Judiciária) do Rio de Janeiro já instaurou uma investigação.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8