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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Singapura alerta para caráter "crítico" da navegação no Mar Vermelho devido aos ataques dos rebeldes Huthis

Rebeldes Huthis, do Iémen, intensificaram os ataques desde o início do conflito entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas, a 7 de outubro.

06 de janeiro de 2024 às 08:42

O chefe da diplomacia de Singapura apelou este sábado ao respeito pela liberdade e segurança na circulação marítima, acentuando o caráter "crítico" do Mar Vermelho, sob ataques dos rebeldes Huthis, que levaram companhias de navegação a desviar rotas.

"Pedimos a todos que respeitem a liberdade e segurança da navegação marítima", afirmou o ministro Vivian Balakrishnan, a propósito da crise no Mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis, do Iémen, intensificaram os ataques desde o início do conflito entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas, em 7 de outubro.

Em entrevista conjunta à Lusa, DN e TSF, Balakrishnan, que termina este sáabdo uma visita oficial a Portugal, salientou que esta não é uma posição política.

"Não é um ponto político, não se trata de tomar partido. Isto não é sobre a natureza do conflito. Queremos liberdade e segurança da navegação e acreditamos que esta é uma responsabilidade de todos nós e é do interesse coletivo", sublinhou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros recordou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estipula que, ao contrário de outros meios de transporte, um navio é livre de circular para qualquer parte do mundo, "e isto é um ponto fundamental".

Balakrishnan referiu que "certos estreitos são críticos para a navegação internacional" e o canal do Suez, que dá acesso ao Mar Vermelho, permite o caminho mais curto entre a Europa e a Ásia.

"O Mar Vermelho é crítico, tão crítico como o Estreito de Malaca ou o Estreito de Singapura são para nós, e não apenas para nós, mas para a comunidade internacional", afirmou, sublinhando que, para nações marítimas como Portugal ou Singapura, a navegação "é uma questão crítica".

O volume do comércio portuário de Singapura é três vezes superior ao produto interno bruto (PIB) do país, ilustrou.

Esta semana, Singapura subscreveu, juntamente com outros 11 países, incluindo os Estados Unidos da América e o Reino Unido, uma posição que foi descrita pela administração norte-americana como um último aviso aos Huthis.

"Que a nossa mensagem seja agora clara: apelamos ao fim imediato destes ataques ilegais e à libertação de embarcações e tripulações detidas ilegalmente", afirmaram os países no comunicado.

"Os Huthis arcarão com a responsabilidade pelas consequências caso continuem a ameaçar vidas, a economia global e o livre fluxo de comércio nas vias navegáveis críticas da região", por onde passa cerca de 15% do comércio mundial, advertiram ainda.

Cerca de 15% do comércio marítimo mundial, recordam os subscritores, atravessa o Mar Vermelho, "incluindo 8% do comércio mundial de cereais, 12% do comércio marítimo de petróleo e 8% do comércio do gás natural liquefeito".

Os rebeldes, envolvidos numa guerra civil com o governo internacionalmente reconhecido do Iémen desde 2014, afirmaram que lançaram os ataques a navios no mar Vermelho para pôr fim à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, em solidariedade com o Hamas.

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