Soldado compareceu num tribunal federal de Nova Iorque esta terça-feira para a primeira audiência perante a juíza Margaret Garnett.
O soldado norte-americano acusado de lucrar na plataforma de apostas Polymarket utilizando informações confidenciais sobre a operação que levou à captura do líder venezuelano deposto Nicolás Maduro declarou-se inocente perante o tribunal, esta terça-feira.
O Departamento de Justiça acusou na passada sexta-feira Gannon Ken Van Dyke, de 38 anos, no primeiro caso conhecido de "insider trading" (tráfico de informação privilegiada) relacionado com os chamados mercados de previsões, que permitem apostar dinheiro em acontecimentos reais de todo o tipo.
O soldado compareceu num tribunal federal de Nova Iorque para a sua primeira audiência perante a juíza Margaret Garnett, que preside ao caso, segundo os meios de comunicação social locais.
Segundo as autoridades, Van Dyke, que participou no planeamento e execução da operação que levou à captura de Maduro no passado dia 03 de janeiro pelas forças militares norte-americanas em Caracas, apostou na plataforma 'online' cerca de 33.000 dólares (cerca de 28 mil euros ao câmbio atual) em questões sobre a Venezuela com baixa probabilidade de acerto e acabou por ganhar mais de 400.000 dólares líquidos (cerca de 341 mil euros).
Van Dyke foi detido na sexta-feira no estado da Carolina do Norte, onde está destacado numa base militar, mas foi libertado após pagar uma fiança de cerca de 250.000 dólares (cerca de 213 mil euros) e aceitar restrições de deslocação no país.
O seu caso será julgado em Nova Iorque.
Van Dyke deve comparecer novamente em tribunal no dia 08 de junho para uma audiência pré-julgamento.
A nível federal, enfrenta cinco acusações de fraude puníveis com penas máximas entre 10 e 20 anos de prisão cada, mas também foi acusado por via cível pela agência reguladora Comissão de Comércio de Futuros de Produtos Básicos (CFTC).
A CFTC referiu num comunicado que este é o primeiro caso de "insider trading" com contratos de eventos e também o primeiro em que recorre à chamada "regra de Eddie Murphy" (em referência ao ator do filme "Trading Places"), que proíbe a negociação de produtos básicos ("commodities") utilizando informação governamental confidencial.
O Polymarket, alvo de escrutínio nos últimos anos à medida que a sua popularidade crescia, foi vetado pelo Governo do democrata Joe Biden em 2022 e regressou aos Estados Unidos no final de 2025.
O seu diretor executivo, Shayne Coplan, afirmou na rede social X na semana passada que notificou as autoridades sobre a "atividade suspeita" de Van Dyke e cooperou no processo.
"Isto acontece constantemente nos bastidores, embora muitos sejam levados a acreditar no contrário", acrescentou.
A atual administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, tem apoiado a expansão do setor dos mercados de previsão.
O filho mais velho do Presidente, Donald Trump Jr., é consultor tanto do Polymarket como do seu principal concorrente, a Kalshi, e é também investidor no Polymarket.
A plataforma de redes sociais de Trump, a Truth Social, está a lançar o seu próprio mercado de previsão, denominado Truth Predict.
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