Starmer falou por telefone com Rutte, tendo ambos enfatizado a importância vital de os aliados continuarem a trabalhar em conjunto para intensificar a cooperação em matéria de segurança no Ártico.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, analisou esta quinta-feira com a homóloga dinamarquesa Mette Frederiksen e com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, os próximos passos para reforçar a segurança no Ártico através da Aliança Atlântica, informou o seu gabinete.
Starmer falou por telefone com Rutte, tendo ambos enfatizado a importância vital de os aliados continuarem a trabalhar em conjunto para intensificar a cooperação em matéria de segurança no Ártico.
Depois de os Estados Unidos terem ameaçado anexar a Gronelândia, território pertencente ao Reino da Dinamarca, o primeiro-ministro britânico recebeu também Frederiksen esta tarde na sua residência de campo, Chequers, onde ambos os líderes concordaram que a segurança no Ártico é assunto de preocupação para toda a NATO.
Um porta-voz do chefe de governo britânico afirmou que "a Europa e a Aliança Atlântica continuarão a impulsionar o progresso para garantir a estabilidade na região", e que o Reino Unido está preparado para desempenhar o seu papel.
Antes do início da reunião, Frederiksen reconheceu que face às ameaças de Washington o seu país tinha passado por "momentos muito difíceis", dos quais está a emergir graças à ajuda de "bons amigos e fortes aliados" na Europa.
A primeira-ministra dinamarquesa expressou a sua sincera gratidão ao Reino Unido pelo "forte apoio" ao seu país e destacou o estilo calmo e pragmático da diplomacia britânica.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira um acordo de princípio com a NATO sobre a Gronelândia, descartando a sua anexação pela força, e retirou a sua ameaça de tarifas sobre oito países europeus que perante as suas ameaças enviaram reforços militares para a ilha.
Já hoje, Mark Rutte explicou que a soberania dinamarquesa sobre a Gronelândia não foi discutida na reunião com Donald Trump, mas apenas a necessidade de "proteger esta vasta região do Ártico", onde a China e a Rússia estão cada vez mais ativas.
Numa conferência de imprensa em Bruxelas, o presidente do Comité Militar da Aliança Atlântica, o almirante Giuseppe Dragone, afirmou que os chefes do Estado-Maior dos 32 aliados da NATO, que estiveram reunidos na capital belga, discutiram os "desafios de segurança sem precedentes" que a organização enfrenta, incluindo os relacionados com a região ártica.
"Discutimos o Ártico, naturalmente, uma região de importância estratégica para a NATO, onde já temos exercícios militares e atividades de treino planeadas para os próximos meses", informou Dragone.
Dragone destacou que a importância do Ártico para a NATO se tornou ainda mais evidente com a adesão recente da Finlândia e da Suécia, dois países com território na região anteriormente neutros.
O líder do Comité Militar, a principal fonte de conselhos militares da Aliança, garantiu que os exercícios não terão lugar na própria Gronelândia, mas sim no conjunto da região ártica, observando que o NORAD - comando conjunto dos Estados Unidos e do Canadá - já está atualmente a realizar operações na zona.
Dragone acrescentou que, caso a NATO seja incumbida de novas missões de vigilância no Ártico, dispõe de "capacidade suficiente" para responder às necessidades, em particular nos domínios marítimo e aéreo.
O almirante informou ainda que a Aliança está a preparar-se para reforçar a sua capacidade de operar em condições climáticas extremas, incluindo através da aquisição de novos quebra-gelos.
O presidente do Comité Militar revelou igualmente que estão em estudo projetos a longo prazo, como a instalação de novos sensores e capacidades de deteção no Ártico.
Questionado sobre o princípio de acordo alcançado na quarta-feira entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, envolvendo a Gronelândia, Dragone respondeu que se trata de uma fase "muito inicial" do processo.
"Sabemos que foi estabelecida uma estrutura entre a Gronelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos, mas ainda aguardamos instruções", explicou Dragone, sobre as conversações mantidas na quarta-feira à margem do Fórum de Davos, na Suíça.
Giuseppe Dragone apontou como uma das "mudanças mais preocupantes" o reforço da cooperação entre Moscovo e Pequim na região.
"Estão a ser realizadas patrulhas conjuntas no mar e no ar, incluindo com bombardeiros de longo alcance, e essa atividade conjunta está claramente a aumentar", alertou o almirante, acrescentando que as alterações climáticas estão a abrir novas rotas marítimas no Ártico, tornando o controlo da região um desafio estratégico crescente.
"A região é muito importante para a NATO e para os países que dependem da dissuasão, porque o degelo está a alterar rapidamente o acesso a esta área", concluiu Dragone.
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