Libertação do militar acontece quando se completa um ano da sua primeira prisão.
O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro determinou esta sexta-feira a libertação do ex-ajudante-de-ordens do antigo presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid. A decisão foi do juiz Alexandre de Moraes, que comanda os processos contra Bolsonaro e aliados no STF.
A libertação do militar acontece exatamente quando se completou um ano da sua primeira prisão, ocorrida em 3 de maio de 2023, por participação num plano de Jair Bolsonaro para dar um golpe de Estado em 2022 após perder as presidenciais desse ano para Lula da Silva e também, entre outras acusações, por ter planeado e executado a falsificação do boletim de vacinas do antigo presidente, incluindo de forma fraudulenta no documento a vacina contra a Covid-19, para que o governante pudesse entrar nos EUA. Libertado em novembro de 2023 depois de ter feito um acordo de colaboração com a justiça, no qual confessou todos os seus crimes e denunciou irregularidades supostamente praticadas por Bolsonaro, Mauro Cid voltou a ser preso em 22 de março deste ano, depois de ser flagrado numa conversa telefónica a dizer a um aliado que só fez o acordo com a justiça sob coação da Polícia Federal, que o terá forçado a dizer mentiras para prejudicar o antigo presidente.
Agora, Alexandre de Moraes mandou libertar novamente o tenente-coronel que durante quatro anos executou fielmente as ordens legais e, sabe-se agora, ilegais dadas por Jair Bolsonaro, depois de uma retratação formal do militar. AO STF, Mauro Cid negou ter sido coagido pela Polícia Federal ou por quem quer que fosse a aceitar o acordo de delação, disse que a conversa flagrada tinha sido um mero desabafo e bravata com um amigo, tal como as acusações que fez nessa mesma conversa classificando Alexandre de Moraes como um ditador que atropelava as leis e se julgava o dono do Brasil.
Após a retratação, Moraes aceitou os argumentos dos advogados de Mauro Cid e mandou soltá-lo, o que deve acontecer até à noite desta sexta. No novo acordo que levou à sua libertação, Cid comprometeu-se a continuar a colaborar com a justiça e a esclarecer pontos do seu acordo anterior que investigações da própria Polícia Federal revelaram estar incompletos ou não corresponderem ao que realmente aconteceu, falhas que, de acordo com os advogados do oficial, ocorreram por mero esquecimento ou confusão do seu cliente, motivados pelo stress da sua situação após o final do governo Bolsonaro.
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