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Supremo do Brasil ordena levantamento do sigilo bancário de Michel Temer

No âmbito de investigação por suspeitas de corrupção.

06 de março de 2018 às 14:12

O Supremo Tribunal Federal brasileiro, STF, determinou na noite desta segunda-feira a quebra do sigilo bancário do presidente do país, Michel Temer, no âmbito de mais uma investigação contra ele por suspeita de corrupção. A quebra do sigilo de Temer foi autorizada pelo juiz Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que apura denúncias de que o presidente brasileiro beneficiou a empresa de amigos de um assessor na concessão do porto de Santos, o maior do Brasil.

Além de Temer, o primeiro presidente brasileiro no exercício do cargo a ter um sigilo quebrado pela justiça, tiveram os sigilos quebrados pelo mesmo magistrado os donos da empresa supostamente beneficiada, a Rodrimar, o ex-assessor especial da presidência Rodrigo da Rocha Loures (flagrado no ano passado a receber uma mala repleta de dinheiro que alegadamente era parte de "luvas" direccionadas ao chefe de Estado) e outras pessoas do ciclo presidencial mais restrito. Entre elas o advogado José Yunes, também já flagrado a receber milhões mais uma vez alegadamente destinados a Temer, e o ex-coronel João Batista Lima Sobrinho, considerado um "testa-de-ferro" do presidente.

Neste inquérito, aberto por Luís Roberto Barroso em Setembro do ano passado, Temer é suspeito de ter sido recompensado de forma ilegal para editar um decreto que, também de forma irregular, beneficiou a Rodrimar, que detém a concessão do porto da cidade de Santos. A intermediação teria sido feita pelo então assessor especial de Temer Rodrigo Rocha Loures, que chegou a ser preso por outro escândalo, este último ligado ao recebimento de "luvas", mais uma vez supostamente destinadas a Temer, pagas pela JBS, maior productor mundial de proteína animal.

Esta terça-feira, fontes próximas a Temer revelaram sob sigilo que ele ficou absolutamente espantado e furioso ao saber que o STF tinha mandado abrir o seu sigilo. Entre outros motivos porque, acrescentam essas fontes, o presidente não foi oficialmente comunicado, tendo sabido da quebra através da imprensa.

Ainda na noite de segunda, Temer, logo após a notícia começar a circular, afirmou que ele mesmo iria pedir ao Banco Central que lhe enviasse todos os extractos bancários do período citado na decisão de Luís Roberto Barroso. E que, como já sabia que os extractos iam vazar, Temer iria antecipar-se e disponibilizar os documentos à imprensa.

Na sexta-feira, outro juiz do STF, Luiz Edson Fachim, relator no tribunal superior dos processos da operação anti-corrupção Lava Jato envolvendo políticos com privilégio de foro, incluiu Michel Temer num outro inquérito por corrupção, este relativo a "luvas" supostamente pagas ao presidente pela constructora Odebrecht. No ano passado, Temer foi alvo de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República por corrupção e formação de organização criminosa, mas conseguiu Pará-las no Congresso, que tem a última palavra quando se trata de processos contra o chefe de Estado, depois de disponibilizar milhares de milhões de euros para obras e projectos de parlamentares. (FIM).

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