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Taxas de Trump punem 'comércio triangular' que beneficiou exportadores chineses

Em causa está o 'comércio triangular' onde é acrescentado um acabamento aos produtos quase concluídos da China como forma de alterar o local de fabrico.

03 de abril de 2025 às 10:18

A imposição de pesadas taxas alfandegárias pelos Estados Unidos sobre bens oriundos do Vietname, Camboja ou Tailândia, ameaça penalizar ainda mais a China, que é já a principal visada na guerra comercial lançada por Donald Trump.

Em causa está o 'comércio triangular', no qual os produtos são exportados quase concluídos da China para outros países, onde é acrescentado um componente ou acabamento, visando alterar o local de fabrico.

Esta estratégia serviu para os exportadores chineses contornarem as taxas impostas por Trump sobre centenas de milhares de milhões de dólares de importações oriundas da China, durante o seu primeiro mandato (2017 - 2021).

Vietname, Tailândia e Camboja representaram, no ano passado, 6% do total das importações dos EUA, em comparação com 3,5%, antes do primeiro mandato de Trump, segundo dados analisados pela Gavekal Dragonomics, unidade de investigação focada na economia chinesa.

Durante o mesmo período, as exportações da China para esses países aumentaram acentuadamente. O aumento das importações dos EUA e o aumento das exportações chinesas verificaram-se nas mesmas categorias de bens, em grande parte maquinaria e eletrónica, destacou a unidade de investigação.

O Vietname foi o maior beneficiário. Os EUA absorvem agora quase 30% das exportações vietnamitas, com o excedente de Hanói no comércio bilateral a fixar-se em 104 mil milhões de dólares (101 mil milhões de euros), quase três vezes o valor de 38 mil milhões de dólares (37 mil milhões de euros) de 2017, quando Trump tomou posse. A Tailândia ocupa um distante segundo lugar na região, com um excedente comercial com os EUA de quase 41 mil milhões de dólares (40 mil milhões de euros).

Mas a ronda de taxas alfandegárias a nível global ameaça agora este 'comércio triangular'.

Vietname e Camboja foram mesmo os países mais punidos com os aumentos das taxas - 46% e 49%, respetivamente. As importações oriundas da Tailândia vão ser punidas com uma taxa adicional de 36%.

"Muitos empresários e fabricantes chineses estão já com as mãos na cabeça sem saber o que fazer", descreveu à agência Lusa um agente de exportação radicado em Cantão, a capital de Guangdong, a província chinesa mais exportadora.

O primeiro-ministro do Vietname, Pham Minh Chinh, convocou hoje uma reunião de emergência com o ministro do Comércio, o ministro das Finanças e o governador do banco central, para avaliar o impacto das taxas, segundo a imprensa estatal vietnamita.

"É absolutamente devastador para o Vietname (...) Não só para as exportações, mas também para os investimentos", afirmou Trinh Nguyen, economista do banco Natixis para a Ásia emergente, citado pela agência EFE.

A bolsa de valores da cidade de Ho Chi Minh caiu 6,7% durante a sessão de hoje.

Arthur Kroeber, cofundador da Gavekal Dragonomics, explicou que Pequim pode, no entanto, utilizar outras ferramentas para amortecer o impacto das taxas, incluindo uma desvalorização da moeda chinesa.

Durante o primeiro mandato de Trump, o renminbi enfraqueceu mais de 12%, em relação ao dólar norte-americano.

"Os exportadores chineses revelaram-se ainda incrivelmente bons a gerirem os seus custos", acrescentou Kroeber. "Temos dados realmente surpreendentes que demonstram como continuam a ter custos baixos em comparação com os exportadores de qualquer outro país", apontou.

A análise da Gavekal Dragonomics revelou ainda que a subfaturação realizada pelos importadores norte-americanos contribuiu com aproximadamente 3% para o aparente declínio de 8% na participação da China nas importações dos Estados Unidos, desde 2017.

Segundo dados do Governo norte-americano, o défice comercial de mercadorias dos EUA com a China foi de 295,4 mil milhões de dólares (mais de 269 mil milhões de euros), em 2024, um aumento de 5,8%, em relação a 2023.

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