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Correio da Manhã

Mundo

TELETRANSPORTE OBTÉM NOVO RECORDE

Uma equipa de investigadores austríacos do Instituto de Física Experimental de Viena obteve um novo recorde de teletransporte de ‘fotões cruzados’ fora do laboratório.
20 de Agosto de 2004 às 00:00
Dois átomos atravessaram o canal do Danúbio
Dois átomos atravessaram o canal do Danúbio FOTO: Reuters
Os cientistas conseguiram transportar informação quântica por cabos de fibra de vidro de 800 metros de comprimento, cruzando transversalmente um canal do rio Danúbio e cobrindo uma distância em linha recta de 600 metros, divulgou ontem a revista científica britânica ‘Nature’.
O teletransporte de características entre dois átomos separados, orientado pelo catedrático Anton Zeilinger, baseia-se no fenómeno dos ‘fotões cruzados’ descrito pelo prémio Nobel Albert Einstein como “efeito fantasmagórico à distância”.
Trata-se de um efeito de mecânica quântica que não é comparável com nenhum fenómeno do mundo de dimensões correntes, já que os dois fotões emparelhados, enviados em direcções opostas, permanecem ligados entre si. Determinando-se a polarização de um dos fotões, pode contar-se com que o outro tenha a mesma polarização, mesmo estando longe do primeiro.
Ao transferirem o estado quântico exacto de uma partícula para outra, os cientistas terão dado um novo passo para o teletransporte de matéria.
Segundo David Wineland, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia de Boulder, Colorado (EUA), o teletransporte de informações entre átomos é tido como a chave para poderosos computadores quânticos, que devem começar a surgir daqui a uma década.
ESPAÇO É PRÓXIMA FRONTEIRA
Rupert Ursin, co-autor deste projecto do departamento de física da Universidade de Viena, afirmou que o próximo passo será tentar estabelecer o teletransporte de partículas com o recurso a satélites. Contudo, não é ainda claro até onde pode ir a experiência agora concretizada com êxito. Isto porque, teoricamente é possível cobrir uma distância de vários quilómetros desde que se consiga renovar o cruzamento dos fotões, o que o investigador austríaco Anton Zeillinger e a sua equipa demonstraram poder fazer.
Por se tratar de um terreno totalmente novo, os cientistas têm ainda de sondar os seus limites. Para além disso, não se sabe se algum dia será possível transportar objectos desta forma como o mostram filmes de ficção científica do tipo da série ‘Star Trek’ (Caminho das Estrelas).
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