Objetivo é controlar o caos vivido na área da Segurança Pública naquele estado.
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O presidente do Brasil, Michel Temer, decretou no final da noite desta quinta-feira intervenção militar no Rio de Janeiro, para controlar o indescritível caos vivido na área da segurança pública naquele estado. Pelo decreto de intervenção, uma medida extraordinária só tomada em momentos de gravíssima violação da lei e da ordem, todas as forças policiais do estado do Rio de Janeiro passam a ser subordinadas às Forças Armadas.
A decisão foi tomada no final de uma longa reunião, que só terminou quando já era madrugada desta sexta-feira em Portugal, e à qual, além do próprio Temer, estiveram presentes os ministros da Defesa, da Justiça, do Gabinete de Segurança Institucional, da Secretaria de Governo, das Finanças e do Planeamento. Também participaram na reunião o presidente do Senado e o presidente da Câmara dos Deputados, além do próprio governador do estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que concordou com a medida extraordinária.
O decreto de intervenção deve ser publicado em edição extraordinária do Diário Oficial ainda nesta sexta-feira, e só aí serão conhecidos os detalhes da decisão. A intervenção ainda terá de ser aprovada em uma reunião especial do Congresso Nacional, que reúne o Senado e a Câmara dos Deputados, o que, pela Constituição, deve acontecer em 10 dias.
A intervenção militar será restrita à área da Segurança Pública, não incidindo nas demais áreas da administração regional, que continuarão sob o comando do governador Pezão. O prazo para duração desse regime de exceção no Rio de Janeiro vai depender dos resultados obtidos, adiantaram participantes à saída da reunião, sem entrarem em detalhes.
As Forças Armadas já participaram em diversas ações de segurança no Rio de Janeiro nos últimos anos e estão em permanência na capital fluminense desde Julho passado, mas sempre como forças de retaguarda, de apoio às polícias locais em ações pré-determinadas. Desta feita, porém, vai ser o oposto, as polícias vão ficar subordinadas ao comando militar, que decidirá ações, estratégias e se mantém ou substitui os chefes das corporações locais.
O general Walter Souza Braga Neto, do Comando Militar do Leste, foi designado interventor e será dele a última palavra em todas as questões relativas à Segurança Pública no Rio de Janeiro enquanto durar a intervenção. Ele foi um dos responsáveis pela segurança dos Jogos Olímpicos 2016, que decorreram sem grandes incidentes na capital fluminense.
A medida foi decidida de emergência após a vaga de crimes cometida durante o Carnaval, quando bandidos tomaram conta das ruas da outrora chamada Cidade Maravilhosa e cometeram todo o tipo de violência quer de dia quer de noite sem que a polícia tivesse forças ou vontade de dar a resposta adequada. No ano passado, a própria polícia foi um dos alvos principais dos criminosos, que executaram 134 agentes, tendo sido mortos este ano, só até ao Carnaval, outras duas dezenas de polícias.
Arrastões, roubos e furtos acontecem a qualquer hora do dia em bairros de todas as classes sociais, quadrilhas de traficantes disputam território nas favelas usando armas de guerra sem qualquer pudor, e o número de homicídios é assustador. Parte da polícia está envolvida com as grandes fações, e a que não está luta com todo o tipo de dificuldades, entre elas falta de meios adequados, que vão até à escassez de munições, coletes à prova de bala e de gasolina para os carros, ordenados em atraso e uma desmotivação que aumenta a cada dia.
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