Iniciativa teria partido de Lula da Silva, em fevereiro.
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O presidente brasileiro, Michel Temer, negou esta segunda-feira em entrevista a uma emissora de rádio que esteja envolvido numa suposta manobra de bastidores visando um "acordão" com os ex-presidentes Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso (FHC) que permita salvar políticos acusados de corrupção pela Operação Lava Jato.
Notícias sobre negociações para o estabelecimento desse acordo entre os três veteranos políticos e os seus respetivos partidos, os maiores do Brasil, são cada vez mais frequentes na imprensa brasileira.
"Fazer um acordão para solucionar os problemas que hoje estão entregues ao judiciário, ao Ministério Público, e acabar com o que está aí [a operação anti-corrupção Lava Jato] é absolutamente inviável", afirmou Temer, citado por várias denúncias de executivos da Odebrecht, durante a entrevista à Radio Jovem Pan.
"Eu não participo, não promovo e jamais fui questionado ou perguntado a respeito disso, se toparia fazer uma coisa dessa natureza", reforçou.
Rumores repercutidos nos media nos últimos dias dão conta de que pessoas com trânsito tanto junto a Temer quanto a Lula e FHC, como o ex-ministro e ex-juíz do Supremo Tribunal Nelson Jobim, e o atual presidente do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, também juíz no Supremo, estariam a articular esse grande acordo em nome dos três líderes políticos.
A ideia seria Temer, Lula e FHC, todos alvos de denúncias de irregularidades, adotarem uma série de ações comuns para travarem a Lava Jato ou, ao menos, fazer com que a maior operação contra a corrupção já desencadeada no Brasil reduzisse o ritmo, para permitir aos três chegarem às presidenciais de outubro do ano que vem com os direitos e a força política preservados.
Ainda de acordo com o que tem vindo a público, os três temem que o atual ritmo das investigações os leve a perderem a força e a influência que ainda possuem e que possam até, no caso de Lula e de FHC, sofrerem condenações na justiça.
Temer, apesar de citado por vários "arrependidos" que passaram a colaborar com a justiça, não pode ser investigado porque os supostos crimes que os delatores dizem que cometeu, mesmo se forem provados, ocorreram antes de ele ser presidente, e a lei só permite investigar, julgar e condenar um chefe de Estado por crimes cometidos no exercício do mandato, como aconteceu no ano passado a Dilma Rousseff.
A preocupação dos três, além de salvar a própria pele, seria salvar aliados igualmente suspeitos, ou seja, quase todas as mais importantes lideranças partidárias do Brasil, e preservar os actuais partidos.
As mesmas fontes adiantam que Temer, Lula e Fernando Henrique Cardoso receiam que, nas presidenciais de 2018, surja um "franco atirador", um candidato que em outras circunstâncias nem seria levado a sério mas que, com toda a atual classe política desmoralizada, canalize a seu favor o profundo descontentamento popular e seja eleito presidente num voto nacional de protesto.
Desde que a Lava Jato começou a chegar perto das maiores lideranças partidárias e do próprio governo, que tem nada menos de oito ministros com pedidos de investigação contra eles já autorizados pelo Supremo Tribunal, têm-se repetido iniciativas tendentes a acabar com a operação ou a desmoralizá-la, o que já levou até à demissão de antigos ministros de Temer.
Esta suposta nova tentativa teria tido início em fevereiro, quando a mulher de Lula, Marisa Letícia, morreu após um AVC, acidente vascular cerebral, e Temer e FHC estiveram com o antigo presidente no hospital para lhe prestarem solidariedade.
Teria partido do próprio Lula, já constituído arguido em cinco ações e enfrentando outras quatro investigações, a proposta de um grande pacto entre os três e as forças políticas que representam, para se manterem politicamente vivos.Temer reconhece que houve uma conversa de teor político na ocasião, mas que essa presumível proposta de acordo seria em torno da necessidade de se fazer uma reforma política no Brasil e não para travar as investigações.
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