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Tempestade em São Paulo faz 15 mortos

Inundações, deslizamento de terras e enxurradas na cidade.

11 de março de 2016 às 13:30

A chuva forte, por vezes torrencial, que caiu ininterruptamente por 24 horas, da manhã de quinta até à manhã desta sexta-feira, provocou uma das maiores tragédias dos últimos tempos na cidade brasileira de São Paulo e na área metropolitana. Às 9 horas desta sexta, hora local, 12 horas em Lisboa, os bombeiros já tinham confirmado a morte de 15 pessoas e havia muitas outras sob os escombros de casas que ruiram durante a madrugada.

O maior número de vítimas fatais confirmado até esse horário estava em Francisco Morato, cidade vizinha a São Paulo e onde nove corpos já tinham sido retirados de sob uma encosta que desabou inteira ao início da madrugada, e os bombeiros ainda procuravam outras vítimas nas toneladas de terra, lama, árvores e restos de casas. Em Mairiporã, outra cidade da região, quatro mortes já tinham sido confirmadas no mesmo horário, mas vizinhos garantiam que outras sete pessoas estavam sob a montanha de destroços das casas que a chuva fez escorregar pela encosta e destruiu completamente. Em Guarulhos, mais duas pessoas morreram, levadas para dentro de rios pela enxurrada.

A chuva começou logo pela manhã de quinta e, sem interrupção ao longo de todo o dia, ao início da noite já interditava diversas grandes artérias da capital paulista e cidades vizinhas, onde em alguns pontos o nível da água em ruas e avenidas chegou aos quatro metros de altura. Por volta das 22 horas as linhas dos comboios que diariamente transportam centenas de milhares de pessoas entre a capital e as cidades periféricas foram interrompidas pelo acúmulo de água nos trilhos, e milhares de pessoas ficaram presas dentro de composições ou nas estações superlotadas e tiveram de passar a noite nos bancos e no chão desses locais, como nas estações de Caieiras, Francisco Morato, Franco da Rocha e Perus, esta última já na cidade de São Paulo.

Ao amanhecer desta sexta, a Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, estava interditada em vários pontos da Grande São Paulo, e o mesmo acontecia com as estradas que ligam a capital paulista ao interior do estado paulista, nomeadamente a Via Anhanguera e a Rodovia Castelo Branco. Quem seguia pelo ar também enfrentou problemas, pois o excesso de chuva e a queda de energia paralisaram no final da madrugada por algum tempo aterragens e descolagens no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica-Guarulhos.

Às 7h30, o congestionamento medido pela CET, Companhia de Engenharia de Tráfego só na cidade de São Paulo era de 570 km, cinco vezes mais do que o normal para o horário. Nas principais avenidas, como as marginais Tietê e Pinheiros, pessoas dormiram dentro ou em cima dos carros, por não terem como fugir do transbordamento dos rios e do gigantesco caos em que se transformou a maior cidade brasileira, e os bombeiros não conseguiam atender todos os pedidos de ajuda, por falta de meios ante a dimensão da tragédia ou por não terem como chegar a muitos locais. 

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