Alemão foi vítima de uma doença prolongada.
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O tenor e maestro alemão Peter Schreier morreu na quarta-feira, dia de Natal, em Dresden, aos 84 anos, após uma doença prolongada, segundo a sua secretária, noticiaram esta quinta-feira os meios de comunicação social da Alemanha.
Nascido em 29 de julho de 1935, em Meissen, uma pequena cidade no estado federado de Saxónia, no seio de uma família de cantores, Schreier iniciou a sua carreira no coro Dresdner Kreuzchor, quando ainda era estudante do ensino básico.
Em 1959 subiu pela primeira vez ao palco de uma ópera para encarnar o prisioneiro 'número um' na ópera "Fidelio", de Beethoven, embora a fama tenha chegado com o papel de Belmonte em "O Rapto do Serralho", de Mozart.
Após colher sucessos em Beirute, Salzburgo e Milão, o saxão construiu uma reputação mundial como intérprete de Mozart e de Bach e como um dos maiores tenores líricos do século XX, convertendo-se numa das poucas estrelas internacionais da antiga República Democrática Alemã (RDA), estatuto de primeira linha que manteve até ao final da carreira.
Em 1966, passou a ser presença regular na Ópera de Viena, seguindo-se palcos como o Scala de Milão e os Festivais de Bayreuth, na Alemanha, e Salzburgo, na Áustria.
Atuou nos principais palcos mundiais, do nova-iorquino Metropolitan ao argentino Colón, de Buenos Aires.
A estreia como regente aconteceu em 1970, com a Staatskapelle de Berlim, com a "Paixão Segundo São Mateus", de Johann Sebastian Bach.
Do mestre de Leipzig, Peter Schreier interpretou e dirigiu algumas das mais premiadas gravações, nomeadamente de cantatas sacras.
Ao longo da sua trajetória, Schreier encarnou mais de 60 personagens de ópera, sendo o seu desempenho do príncipe Tamino, da "Flauta Mágica", um dos mais memoráveis, segundo publicações especializadas, como a Opera Now e a Opera Magazine, e jornais generalistas como The Sunday Times e The Times, que o colcocaram entre os melhores tenores a nível mundial.
Destacou-se igualmente como intérprete de canção de câmara, sobretudo do 'lied' alemão, e de compositores como Franz Schubert, Robert Schumann, Hugo Wolf e Johannes Brahms.
Em 2005, aos 70 anos, pôs fim à sua carreira como cantor, embora tenha continuado profissionalmente ativo, como maestro -- entre outros cargos na Filarmónica de Viena e na orquestra Filarmónica de Nova Iorque, sem esquecer a Capela Estatal de Dresden -- e como professor de canto.
No ano anterior, 2004, Peter Schreier atuou pela última vez no Festival de Sintra, com o pianista Adriano Jordão, com quem constituíra, entre outros músicos, o agrupamento I Vocalisti, dedicado a um menos divulgado repertório vocal de câmara.
Peter Schreier foi também presença na vida musical portuguesa, tendo atuado em palcos como os da Fundação Calouste Gulbenkian, do Teatro Nacional de São Carlos e do Centro Cultural de Belém, assim como no Salão Nobre da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa.
Foi também um dos protagonistas dos antigos Encontros de Música da Casa de Mateus, em Vila Real, onde atuou e orientou oficinas de canto.
Em 2002, quando passava um ano sobre os atentados do 11 de setembro, o Festival de Música dos Açores contou com Peter Schreier para uma homenagem às vítimas, num concerto com os solistas da orquestra de Dresden e do coro de Leipzig, para a interpretação do Requiem de Mozart.
Trabalhou com músicos portugueses como a soprano Dora Rodrigues e o cantor e maestro Sérgio Fontão.
Nos últimos anos, a saúde de Peter Schreier - afetada por diabetes e problemas de rins - obrigou-o a retirar-se definitivamente.
Schreier vivia em Dresden, era casado e tinha dois filhos.
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