Incidente ocorreu quando a mulher de um dos marinheiros disse que os submarinistas "estão mortos"
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Os familiares dos 44 tripulantes do submarino argentino ARA San Juan viveram esta segunda-feira momentos de tensão, com confrontos sobre as possibilidades de sobrevivência dos submarinistas, quando já passam 12 dias desde que está desaparecido.
O choque entre os familiares aconteceram dentro da base naval do Mar del Plata, 400 quilómetros a sul de Buenos Aires, onde continuam à espera de alguma novidade sobre o submarino, cujo último contacto foi feito na manhã do passado dia 15 de novembro.
O incidente aconteceu quando Ituí Leguizamón, mulher de um dos 44 tripulantes, foi agredida por familiares de outros marinheiros depois de ter dito num canal de televisão que os submarinistas "estão mortos".
"Ficaram ofendidos porque afirmei que estão mortos, algo que eles continuam a alimentar que não, que estão bem e vivos", disse Itatí Leguizamón, mulher do operador do marinheiro Germán Oscar Suárez, a jornalistas.
Itatí Leguizamón relatou que, quando tentou entrar esta segunda-feira na base para saber as últimas novidades da operação de busca, "várias pessoas" a insultaram, disseram-lhe para sair e até tentaram batê-la.
"Se eles não querem aceitar, o problema é deles. Cada qual aceita o que quer", disse a mulher.
Já Marta Vallejos, irmã de um operador de sonar, cumpriu esta segunda-feira o seu primeiro dia de jejum de alimentos sólidos, uma decião que quer continuar "até que apareçam os tripulantes".
A irmã do submarinista declarou-se "totalmente convencida" de que os 44 "não estão a passar um bom momento", mas que "estão bem".
Os familiares dos submarinistas têm recebido ajuda psicológica e assistência médica permanente dentro da base naval.
No relatório oficial desta segunda-feira, distribuído à imprensa, a Marinha argentina disse que "infelizmente" ainda não conseguiu encontrar a localização do submarino ARA San Juan, que quando fez a última comunicação estava a cerca de 432 quilómetros da costa patagónica argentina.
O porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, indicou que continua a inspeção no fundo do mar numa área de 36 quilómetros, que coincide com a zona onde se registou uma explosão no dia em que o submersível desapareceu.
Atualmente, estão a inspecionar a zona 14 navios de várias nacionalidades. Na área há também um veículo submersível remoto dos Estados Unidos da América, com capacidade para descer até 900 metros de profundidade.
Esses navios, acompanhados por três aeronaves, participam na operação de busca, que envolve mais de 4.000 pessoas da Argentina e de treze outros países, incluindo Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.
Nas próximas horas, juntar-se-á à operação um submarino norte-americano, que pode descer até 600 metros de profundidade, embora o porta-voz tenha dito que esse meio servirá para resgate quando for encontrado o submarino.
Ao mesmo tempo, zarpará em breve um veículo de inspeção subaquática com capacidade de inspeção ocular através de câmaras de alta qualidade, que pode descer até 300 metros.
Já a 05 de dezembro deverá chegar da Rússia o barco de exploração científica Yantar, que conta com equipamentos de tecnologia de inspeção subaquática e é capaz de operar até 6.000 metros de profundidade.
Da marinha argentina, as fontes oficiais não descartam que os 44 submarinistas possam estar numa situação de "sobrevivência extrema", uma possibilidade que mantém em alta quem participa nas buscas.
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