Dimensão da vitória de Starmer é a grande dúvida. Sunak pede votos para fazer uma “oposição forte”.
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O Reino Unido prepara-se para virar esta quinta-feira à esquerda após 14 anos de domínio conservador, com as sondagens a apontarem para uma vitória esmagadora dos trabalhistas de Keir Starmer, que poderão mesmo chegar a uma supermaioria com mais de dois terços dos lugares na Câmara dos Comuns.
A vantagem trabalhista nas sondagens é tão esmagadora que o PM, Rishi Sunak, acabou a campanha a pedir votos não para ganhar, mas para fazer uma “oposição forte”.
Se dúvidas houvesse sobre a resignação dos conservadores com a esperada derrota, elas foram desfeitas esta quarta-feira de manhã pelo ministro do Trabalho, Mel Stride. “Admito totalmente que vamos ter uma vitória esmagadora do Partido Trabalhista, porventura a maior maioria que este país já viu. O que importa agora é que tipo de oposição vamos ter, qual será a nossa capacidade para escrutinar o Governo no Parlamento”, afirmou o responsável conservador à BBC.
Sunak garantiu, por seu lado, que iria “lutar por cada voto” e citou um estudo que indica que se os conservadores conseguirem obter 130 mil votos em determinados círculos poderão conseguir travar a maioria trabalhista. “Para todos os eleitores que pensam que isto está decido - não, ainda não acabou”, frisou o primeiro-ministro cessante, cujas garantias de recuperação económica foram insuficientes para convencer um eleitorado saturado da austeridade, da deterioração dos serviços públicos - principalmente na saúde e na educação - e da incapacidade do Governo para liderar com problemas como a insegurança e a imigração.
Já os trabalhistas alertaram os eleitores para não se deixarem enganar pela admissão de derrota antecipada dos conservadores e não julgarem que a vitória está garantida. “Se querem mudança, têm de votar por ela. Não podemos tomar nada por garantido”, avisou Keir Starmer no último dia de campanha.PORMENORESRecorde de BlairGrande parte das sondagens sugere que os trabalhistas podem bater o recorde para a maior maioria parlamentar, obtida por Tony Blair em 1997 com 418 deputados."Acabou-se"A ex-ministra Suella Braverman avisou que os conservadores devem preparar-se "para a frustrante realidade da oposição". "Acabou-se", diz.Brexit ausenteA economia e a imigração foram os temas dominantes da campanha, mas o Brexit quase não foi mencionado, apesar da simpatia de Starmer pelo mercado único.
Sunak pode perder lugar nos Comuns
O primeiro-ministro cessante, Rishi Sunak, pode ficar para a história como o primeiro chefe do Governo em exercício a perder o seu lugar na Câmara dos Comuns. Em 2019, Sunak foi eleito pelo círculo de Richmond and Northallerton (North Yorkshire) com uma maioria de 63% e mais de 27 mil votos de vantagem.
No entanto, uma sondagem recente indica que Sunak pode agora perder o lugar para o candidato trabalhista Tom Wilson, que tem ligeira vantagem sobre o PM nas intenções de voto. Mas Sunak pode não ser o único: segundo as sondagens, onze ministros do Governo cessante podem ficar de fora do próximo Parlamento, incluindo o ministro das Finanças, Jeremy Hunt, e o responsável pela Defesa, Grant Shapps.
Ex-PM não elogiou o sucessor
O ex-PM conservador Boris Johnson, que em 2022 conquistou a última grande vitória eleitoral do partido, só apareceu na campanha esta terça-feira à noite. Johnson participou num comício de Sunak em Londres, mas a animosidade entre os dois foi notória. Não se cumprimentaram nem estiveram em palco juntos e Johnson não fez qualquer elogio ou menção às políticas do seu sucessor, limitando-se a recordar os seus próprios êxitos e a alertar que os trabalhistas se preparam para "arrasar tudo com uma marreta".
PORMENORES Recorde de Blair
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