Presidente deu ‘luz verde’ ao início do processo de transferência de poderes para a Administração Biden.
Mais de duas semanas após Joe Biden ter sido dado como vencedor das presidenciais de 3 de novembro, Donald Trump autorizou finalmente o início do processo de transição para a nova Administração, num reconhecimento implícito da derrota mas sem nunca o afirmar publicamente. Pelo contrário, o presidente cessante garantiu que "vai continuar a lutar" para provar a fraude eleitoral.
"As nossas ações legais continuam em força. Vamos continuar a lutar e acredito que sairemos vencedores! No entanto, tendo em conta os melhores interesses nacionais, recomendei que [a diretora da Administração dos Serviços Gerais]? Emily Murphy e a sua equipa façam o que tiver de ser feito relativamente os protocolos iniciais [da transição] e disse à minha equipa para fazer o mesmo", anunciou Trump no Twitter, pouco depois de o Michigan ter certificado a vitória de Biden naquele estado, levando Murphy a quebrar o seu muito criticado silêncio e a declarar Biden como vencedor das eleições, uma formalidade necessária para que a transição possa começar.
"Nunca foi pressionada relativamente ao teor ou ao calendário da minha decisão. A decisão foi unicamente minha", garantiu a diretora da Administração dos Serviços Gerais, nomeada por Trump em 2017 e muito criticada pelos democratas por recusar declarar Biden como presidente-eleito apesar de a sua vitória já ser clara há mais de duas semanas.
O processo formal de transição, que esta terça-feira mesmo teve início, permite que Biden e a sua equipa possam receber ‘briefings’ diários de segurança nacional e aceder a fundos e gabinetes governamentais para preparar a transferência de poderes. Possibilita ainda uma melhor coordenação e transferência de responsabilidades no combate à pandemia.
"Nos próximos dias, a equipa de transição vai reunir-se com os responsáveis da Administração cessante para discutir a resposta à pandemia, acautelar plenamente os interesses da nossa segurança nacional e ganhar uma melhor compreensão sobre os esforços da Administração Trump para esvaziar as várias agência governamentais", afirmou o chefe da equipa de transição de Biden, Yohannes Abraham.
"EUA estão de volta e prontos para liderar"
Joe Biden garantiu esta terça-feira que os EUA "estão de volta" e "prontos para liderar o Mundo", no seu primeiro discurso após ser proclamado como presidente-eleito dos EUA.
Discursando na cerimónia de apresentação daquela que será a sua equipa de política externa e segurança nacional, Biden garantiu que a América "está pronta para liderar o Mundo, e não para se retirar", num claro distanciamento em relação ao isolacionismo da Administração Trump.
Biden frisou ainda que "a América é mais forte quando trabalha com os seus aliados", uma posição reforçada pouco depois por Antony Blinken, que Biden escolheu para Secretário de Estado do seu futuro governo. "Os EUA não podem resolver todos os problemas sozinhos. Precisamos de trabalhar com outros países, precisamos da sua colaboração e parceria", afirmou.
Além de Blinken, estiveram ainda presentes na conferência de imprensa os futuros membros da Administração John Kerry (enviado especial do presidente para o combate às alterações climáticas), Linda Thomas-Greenfield (embaixadora na ONU), Jake Sullivan (Conselheiro de Segurança Nacional), Avril Haines (diretora da Inteligência Nacional) e Alejandro Mayorkas (secretário da Segurança Interna).
"A sua função será não apenas reparar, mas reimaginar a política externa e a segurança nacional da América para uma nova geração", disse Biden, que deverá anunciar nos próximos dias a escolha de Janet Yellen, antiga diretora da Reserva Federal dos EUA, como Secretária do Tesouro, uma das pastas mais importantes da Administração, cuja prioridade será a recuperação da economia devastada pela pandemia.
Republicano ‘dá’ vitória a Biden no Michigan
A certificação do vencedor num estado é normalmente uma formalidade: dois representantes democratas e dois republicanos reúnem-se para confirmar os resultados e atribuir os delegados ao candidato com mais votos. No Michigan, um dos republicanos apoiou as alegações de fraude de Trump e recusou certificar a vitória de Biden, mas o outro votou a favor, ‘dando’ o estado ao democrata.
Giuliani admite que exagerou alegações
O advogado de Trump, Rudolph Giuliani, que tem liderado a ofensiva jurídica do presidente para contestar os resultados, admitiu na Fox que "exagerou" ao dizer que houve mais votos em Detroit do que eleitores registados, alegação várias vezes repetida por Trump. "Ok, se calhar exagerei um bocadinho", reconheceu.
Republicanos desprezam Trump pelas costas
O veterano jornalista Carl Bernstein, do caso ‘Watergate’, expôs no Twitter os nomes de 21 senadores republicanos que "desprezam Trump pelas costas" apesar de terem medo de o criticar publicamente. Entre os visados estão Marco Rubio (Florida), Lamar Alexander (Tennessee) e John Cornyn (Texas).
Pensilvânia e Nevada certificam vitória de Biden
Além do Michigan, outros dois estados cruciais para definir o vencedor destas eleições, a Pensilvânia e o Nevada, certificaram esta terça-feira a vitória de Joe Biden, garantindo a atribuição dos respetivos delegados e cimentando a vitória do democrata no Colégio Eleitoral.
RECURSOS DA TRANSIÇÃO
Milhões em fundos estatais
O arranque formal do processo de transição desbloqueia 6,3 milhões de dólares (5,3 milhões de euros) em fundos governamentais para a equipa de Biden pagar a funcionários e consultores e alugar escritórios.
Informações
Além dos ‘briefings’ diários de segurança nacional, a equipa de Biden passa igualmente a poder contactar funcionários de qualquer agência federal ou gabinete do Congresso para pedir informações e documentos.
Gabinetes
A equipa de transição tem direito a ocupar 40 mil metros quadrados de gabinetes e salas de reuniões com capacidade para cerca de 500 pessoas.
Telecomunicações
A Administração dos Serviços Gerais disponibiliza ainda à equipa de transição equipamentos de telecomunicações seguros, apoio informático e servidores de correio eletrónico.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.