Presidente dos EUA discursou durante mais de uma hora. Além das tarifas, falou da relação com os países da NATO e admitiu que gostaria de envolver María Corina Machado na questão da Venezuela
Donald Trump concedeu esta terça-feira uma longa conferência de imprensa para assinalar um ano do seu mandato como presidente dos EUA. Depois da Casa Branca ter revelado um documento com aquilo a que chamou as "365 vitórias" da sua admnistração, o líder norte-americano abordou alguns temas da atualidade, como as tarifas que impôs a alguns países e a iminente decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre a legalidade das mesmas.
"Não sei o que o Supremo Tribunal vai fazer. Para mim, está escrito de forma clara, não poderia ser mais claro. Arrecadámos centenas de biliões de dólares e, se perdermos este processo, é possível que tenhamos que devolvê-los. Não sei como devolveríamos e como isso seria feito de forma simples, mas aguardamos ansiosamente o desfecho deste caso. Temos uma enorme segurança nacional graças às tarifas, e uma enorme receita."
O Supremo Tribunal, atualmente com uma maioria de juízes conservadores, poderá anular as tarifas, a pedra angular da agenda económica de Trump, e obrigar o presidente a reembolsar os importadores norte-americanos que as pagaram.
Sobre a questão particular da Gronelândia, não adiantou grandes pormenores: "Temos muitas reuniões agendadas na Gronelândia. Acho que vamos chegar a um acordo que deixará a NATO muito satisfeita, e nós também. Mas precisamos dela [da Groenlândia] por questões de segurança, precisamos dela para a segurança nacional e até mesmo para a segurança mundial."
Antes de abordar a questão das tarifas, Trump lembrou que a sua admnistração fez "muito mais do que qualquer outra em termos militares, em termos de acabar com guerras, em termos de concluir guerras". "Nunca ninguém viu nada parecido", indicou.
Mas começou a conferência a criticar a Somália. "Nem sequer é um país. Eles não têm nada que se assemelhe a um país. E se existe um país ali, é considerado um dos piores do mundo. A única coisa em que eles são bons é a piratear navios no mar", atirou.
Relativamente à questão da Venezuela, Trump revelou que gostaria de envolver a opositora María Corina Machado de alguma forma, mas não especificou como.
“Uma mulher incrivelmente gentil que também fez algo extraordinário, como vocês sabem. Podemos envolvê-la de alguma forma. Eu adoraria poder fazer isso, Maria, talvez possamos fazer isso", disse, repetindo que merecia ter ganho o Nobel da Paz.
Outro dos temas abordados foi a difícil relação dos EUA com os países que integram a NATO, sobretudo atualmente com a questão da Gronelândia na ordem do dia. "Fiz mais pela NATO do que qualquer outra pessoa viva ou morta. Mas a NATO tem que nos tratar com justiça. O meu maior receio é que gastamos quantias enormes de dinheiro com a NATO, e sei que iremos em seu auxílio, mas questiono sinceramente se eles virão em nosso auxílio."
Durante a sua intervenção, o presidente dos EUA afirmou também que não sente ressentimentos por ter demitido funcionáros federais, considerando que alguns deles conseguiram mesmo emprego no privado a ganhar mais dinheiro.
O líder norte-americano atacou ainda os promotores que o acusaram nos últimos anos de varios crimes, afirmando que "pôs fim à instrumentalização do governo por Joe Biden" e que removeu os "promotores marxistas de esquerda radical escolhidos a dedo do Departamento de Justiça".
Antes de Trump falar, a Casa Branca publicou um documento onde o presidente norte-americano enumera as 365 vitórias durante o primeiro ano do seu segundo mandato na presidência dos EUA. Trata-se de uma lista com 365 tópicos, um para cada dia desde a sua posse.
"Há exatamente um ano, o presidente Donald J. Trump retornou ao cargo com um mandato retumbante para restaurar a prosperidade, garantir a segurança da fronteira, reconstruir a força americana e colocar o povo americano em primeiro lugar. Em apenas 365 dias, o presidente Trump alcançou resultados verdadeiramente transformadores, com o primeiro ano de mandato presidencial mais bem-sucedido da história moderna", pode ler-se na introdução do documento.
O ponto número 156, por exemplo, afirma que Trump "garantiu um acordo junto dos países membros da NATO para aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB, uma façanha notável de política externa que durante muito tempo foi considerada impossível".
Já o último, o ponto 365, diz: "Anunciou novas oportunidades de caça em 87.000 acres dentro do Sistema Nacional de Refúgios de Vida Selvagem e do Sistema Nacional de Incubação de Peixes, triplicando o número de oportunidades e quintuplicando o número de postos abertos ou ampliados em comparação com o governo Biden."
O documento tem o título "O regresso do presidente Trump marca uma nova era de sucesso [e] prosperidade".
Consulte aqui o documento publicado no site da Casa Branca.
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