Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Trump impõe tarifas às importações da China no valor de 60 mil milhões de dólares

Medida pretende travar "a concorrência desleal por parte de Pequim" e "restringir o roubo de propriedade intelectual norte-americana".
22 de Março de 2018 às 17:39
Donald Trump
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump
Donald Trump
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump
O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou esta quinta-feira a aplicação de tarifas sobre as importações chinesas num valor anual até 60 mil milhões de dólares (48,7 mil milhões de euros), assegurando, porém, que encara a China como um país "amigo".

Esta bateria de tarifas visado as importações chinesas, que já tinha sido avançada algumas horas antes por altos funcionários da Casa Branca, pretende travar, segundo as palavras de Trump, a concorrência desleal por parte de Pequim e restringir o roubo de propriedade intelectual norte-americana.

O valor inicial avançado por fontes da administração norte-americana rondava os 50 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros).

Apesar destas medidas, Donald Trump insistiu, durante numa intervenção feita a partir da Casa Branca, que a China é um país "amigo" e que tem "imenso respeito pelo Presidente Xi Jinping".

Também enfatizou a sua excelente relação pessoal com o seu homólogo chinês.

Trump indicou igualmente estar a negociar com Pequim uma redução "na ordem dos 100 mil milhões dólares" (cerca de 81 mil milhões de euros)" no défice comercial que os Estados Unidos têm com o gigante asiático.

"Pedi à China para reduzir o défice em 100 mil milhões de dólares, que seria 25% (do total) ou talvez até mais. Temos de fazer isso", declarou Trump, ao assinar o memorando presidencial relativo às novas tarifas comerciais.

"Estamos a conversar com a China e envolvidos numa negociação muito grande. Vamos ver onde nos leva, enquanto isso vamos tomar esta medida", prosseguiu o Presidente norte-americano, sem esclarecer, no entanto, a possibilidade de um reajustamento destas novas tarifas caso Pequim responda ao seu pedido sobre o défice comercial.

Robert Lighthizer, o representante do governo de Donald Trump para os assuntos comerciais, terá agora 15 dias para publicar a lista dos produtos afetados por estas tarifas.

Segundo fontes da Casa Branca, as novas tarifas podem afetar cerca de 1.300 tipos de bens, de sapatos a roupa, passando por dispositivos tecnológicos de última geração.

Uma vez publicada esta lista, existirá um período de discussão pública de 30 dias, antes das tarifas entrarem em vigor, de acordo com a administração norte-americana.

Por outro lado, Trump dará um prazo de 60 dias ao Departamento do Tesouro norte-americano para decidir como restringir o investimento chinês nos Estados Unidos devido a práticas de "distorção do mercado", segundo as palavras de Peter Navarro, assessor para a área do comércio do chefe de Estado norte-americano.

Os Estados Unidos planeiam ainda denunciar a China perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) por alegadas práticas discriminatórias na atribuição de licenças tecnológicas.

No mesmo dia em que Trump deu o tiro de partida para a prometida guerra comercial contra a China, ao ter anunciado o pacote de taxas alfandegárias sobre produtos chineses importados pelos Estados Unidos, a administração norte-americana decidiu deixar de fora do aumento das tarifas comerciais sobre as importações de aço e de alumínio - medida deverá entrar em vigor na sexta-feira -, a União Europeia (UE), a Austrália, a Argentina, o Brasil e a Coreia do Sul.

Também de fora ficaram os seus parceiros no Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês), o Canadá e o México.

"O que [Donald Trump] decidiu fazer foi suspender a imposição de tarifas sobre esses países", anunciou Robert Lighthizer, numa audiência numa comissão especializada do Senado norte-americano (câmara alta do Congresso norte-americano).

Hoje, em Bruxelas, a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmstrom, afirmou que esperava que a UE "no seu todo" integrasse a lista de países e regiões isentas das taxas alfandegárias sobre o alumínio e aço.

"Esta tarde [o Presidente norte-americano Donald Trump] vai fazer o anúncio sobre possíveis exceções. Nós esperamos estar incluídos nesta lista, mas não temos a certeza", disse então a comissária, falando no Parlamento Europeu.

Malmstrom esteve na terça e quarta-feira em Washington onde se reuniu com o seu homólogo norte-americano.

Há duas semanas, a administração norte-americana anunciou a aplicação de taxas alfandegárias de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio.
Presidente Donald Trump Pequim Casa Branca China Xi Jinping política economia negócios e finanças
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)