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Professor da Universidade de Harvard explica que estratégia de consiste em mostrar que tem "um nível de força que é excecional em relação a outros".
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Donald Trump está a tentar provar ao eleitorado dos Estados Unidos que tem uma força excecional e que deve ser reeleito, depois de ter testado positivo à covid-19, considerou esta sexta-feira à Lusa um professor da Universidade de Harvard.
Professor de Política de Saúde e Análise Política das escolas de saúde e de governação de Harvard, Robert Blendon disse, em entrevista à Lusa, que Donald Trump está a tentar provar que está a ultrapassar a doença covid-19 "com força e determinação", como "argumento para continuar na presidência" depois das eleições de 03 de novembro.
Apesar das incertezas que existem e de a equipa médica do Presidente não ter confirmado inequivocamente as melhorias, Robert Blendon afirmou que a estratégia de Trump consiste em "mostrar que continua a funcionar num nível tão alto e exigente" como a presidência e que tem "um nível de força que é excecional em relação a outros".
Donald Trump, que tomou posse com 70 anos, é o mais velho Presidente dos EUA, agora com 74 anos e confirmou ter testado positivo à covid-19 na semana passada.
O Presidente passou vários dias no hospital militar Walter Reed e, depois de ter saído na segunda-feira, tem insistido que se sente bem e pediu aos norte-americanos para "não terem medo" da doença.
Para Robert Blendon, diretor do programa de pesquisas de opinião da Universidade de Harvard, o que Donald Trump está a dizer tem de ser visto à luz das sondagens para as próximas eleições, que dão uma grande vantagem a Joe Biden sobre o Presidente.
O "esforço nas últimas semanas é para mostrar que Trump tem força, poder e capacidade de liderança. Ou seja, um dos objetivos é tentar diminuir esse intervalo das sondagens por mostrar como é forte a lidar com a ameaça", considerou o especialista em gestão de saúde pública.
Robert Blendon analisou que o "problema crítico no pensamento dos eleitores pode ser de 'votar em alguém que pode não sobreviver durante todo o mandato'", por isso, a mensagem de Trump consiste em contrariar essas dúvidas e assegurar, "pelo menos os apoiantes, que está saudável, capaz de continuar na presidência e forte para continuar a campanha".
Segundo o professor da Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo, o Presidente sabe que "a única maneira de ser reeleito é ter sido campeão de uma economia crescente" e por isso, a campanha para a reeleição foca-se no bom período económico que foi vivido nos EUA no primeiro mandato.
Assim, a atual administração tenta dar novo fôlego para a economia crescer novamente, dando contornos aos conselhos dos especialistas de saúde pública, o que cria "tensões", explicou Robert Blendon.
O Presidente dos Estados Unidos e recandidato ao cargo, Donald Trump, insistiu hoje que está pronto para retomar a campanha e que se sente "perfeito", apesar de ainda persistirem dúvidas sobre a sua recuperação da covid-19.
"Estou a sentir-me bem. Muito bem. Acho que perfeito", garantiu Donald Trump em declaração, através do telefone, à Fox Business, citada pela Associated Press (AP), a primeira desde que teve alta depois do internamento de três dias numa unidade hospitalar.
Questionado pela Lusa como é que o tratamento de Donald Trump é diferente num hospital militar, Robert Blendon disse que é "preciso ter atenção" porque os presidentes seriamente doentes ou com problemas graves de saúde foram sempre tratados da mesma maneira que qualquer cidadão com os mesmos problemas e que, por isso, "não é justo dizer que tiveram tratamentos diferentes".
O professor acrescentou que apesar disso, um presidente "tem equipas incríveis à volta" e "tem acesso a tratamentos medicinais que não são amplamente disponíveis, mas também não foram completamente aprovados pela FDA", agência de administração de alimentos e medicamentos.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e sessenta e três mil mortos e mais de 36,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Os Estados Unidos são o país com mais mortos (212.789) e também com mais casos de infeção confirmados (mais de 7,6 milhões).
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