Turquia ignora pressão internacional.
A Turquia rejeitou esta segunda-feira a pressão internacional para reconhecer o assassínio em massa de arménios na Primeira Guerra Mundial como um genocídio, no 100.º aniversário da tragédia.
A relação difícil que a Turquia tem com esta questão foi evidenciada no domingo pela reação incendiária do Governo ao uso, pelo papa Francisco, da palavra 'genocídio' para descrever o massacre: chamou o núncio no Vaticano e o enviado turco na Santa Sé.
Num ataque ao chefe da Igreja Católica pouco habitual num líder político, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, acusou Francisco de uma atitude "parcial" e "inapropriada" que afirmou ter ignorado o sofrimento dos muçulmanos na Primeira Guerra Mundial.
Estas trocas de palavras intensificaram tensões quando se aproxima a data do 100.º aniversário do início do massacre, a 24 de abril.
Mesmo antes de o papa entrar na polémica, os arménios acusaram a Turquia de tentar ofuscar aquilo a que chamaram as celebrações do seu genocídio ao marcar para o mesmo dia as cerimónias do centenário da famosa batalha de Gallipoli, da Primeira Grande Guerra, que habitualmente se realizam a 25 de abril, criando aos líderes mundiais um dilema quanto ao evento a que hão de assistir.
"Mete-te na tua vida, Papa", era a manchete do diário pró-governamental Star, ao passo que o diário Aydinlik titulou "A Nova Cruzada".
Uma fonte do Governo turco disse à agência de notícias francesa, AFP, que Ancara tinha ficado "verdadeiramente surpreendida" com os comentários de Francisco, que foram emitidos durante uma missa na basílica de São Pedro, no Vaticano, para assinalar as mortes dos arménios às mãos dos otomanos.
A Arménia e os arménios na diáspora dizem que 1,5 milhões dos seus antepassados foram assassinados por forças otomanas numa campanha cirúrgica ordenada pela chefia militar do império Otomano para erradicar o povo arménio da Anatólia, onde é agora o leste da Turquia, um argumento apoiado por vários parlamentos europeus.
A Turquia tem uma perspetiva diametralmente oposta da tragédia, sustentando que centenas de milhares tanto de turcos quanto arménios perderam a vida quando as forças otomanas combatiam o império russo pelo controlo da Anatólia oriental, durante a Primeira Guerra Mundial.
Apesar de se admitir que o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o partido no poder, de raízes islâmicas, têm dado atenção às minorias religiosas da Turquia, eles não mostraram qualquer sinal de cedência na polémica do genocídio.
Erdogan expressou condolências aos arménios em 2014, mas a esse gesto não se seguiram quaisquer outras medidas, com a retórica a tornar-se, mesmo, mais aguçada. Para muitos turcos, é inconcebível considerar que as forças otomanas foram responsáveis pelo pior de todos os crimes, numa altura em que eram comandados por figuras às quais se atribui a colocação das primeiras pedras para a criação da Turquia moderna, em 1923.
"Não há qualquer época, na história da Turquia, de que esta se possa envergonhar", disse o ministro dos Assuntos Europeus turco, Volkan Bozkir, classificando as afirmações do papa como "vazias".
O pior pesadelo da Turquia seria o reconhecimento pelos Estados Unidos das tais como genocídio e, a 18 de março último, 44 congressistas norte-americanos apresentaram uma resolução pressionando o Presidente, Barack Obama, a reconhecer essa interpretação.
O comentador Murat Yetkin argumentou, no Hurriyet Daily News, que a principal estratégia da diáspora arménia é encorajar o reconhecimento pelos Estados Unidos "não apenas por causa dos seus efeitos políticos e psicológicos, mas também por causa das suas consequências legais".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.