A embaixada da Ucrânia em Lisboa foi ontem pequena de mais para receber os milhares de cidadãos deste país do Leste da Europa que quiseram votar nas presidenciais. A afluência às mesas de voto foi grande, mas decorreu sem incidentes.
Na sua grande maioria, os eleitores ucranianos no nosso país expressaram ao Correio da Manhã a preferência pelo candidato da oposição, o liberal e pró-ocidental Viktor Yushchenko, que, de facto, de acordo com as projecções à boca das urnas, acabou por ganhar a eleição mas sem maioria, pelo que terá de disputar a segunda volta, no próximo dia 21, com o candidato pró-russo e actual primeiro-ministro Viktor Yanukovich.
Centenas de ucranianos acorreram à embaixada do seu país em Lisbia, aguardando em fila durante horas a sua vez de votar. A longa espera foi animada por um grupo de músicos que interpretou temas ucranianos a partir do alpendre exterior do edifício. Na cave, quatro urnas aguardavam os megaboletins de voto – 24 candidatos.
Veronika Hlybochan está há cinco anos em Portugal e foi votar com o marido, George, e acompanhada pelo filho Andre. “Yushchenko é o mais verdadeiro, é a pessoa mais séria e sabe o que o povo precisa, está muito ligado às pessoas”, realça a empregada doméstica de 38 anos. Veronika não esquece a visita que o candidato presidencial fez a Portugal em 2003. “Ele pode mudar muita coisa. A Ucrânia não pode continuar com um salário mínimo de 32 euros”, frisa.
Já Tatiana, que prefere não referir o apelido, professora em Lisboa, espera que a mudança “possa criar mais empregos na Ucrânia, para poder atrair as pessoas a ficar no país”.
Por seu turno, Lhubov Farion, empregada doméstica, de 41 anos, considera que o desempenho do actual presidente Leonid Kuchma “não foi sempre bom”. Opinião partilhada por outros compatriotas, que desejam acima de tudo “melhores condições para poder voltar para as famílias”, conclui Tatiana.
2.ª VOLTA DIA 25
Se as eleições presidenciais ucranianas dependessem apenas dos votos dos imigrantes em Portugal, o candidato da oposição, Viktor Yushchenko, ganharia com larga maioria. Mas o candidato da oposição não conseguiu a esmagadora maioria que lhe daria a vitória na primeira volta. Segundo as primeiras sondagens divulgadas pouco depois do fecho das urnas. Yushchenko vence o escrutínio com 41,98 por cento dos votos, enfrentando na segunda volta o candidato do poder, o primeiro-ministro Yanukovich.
Sublinhe-se que nos termos da legislação ucraniana, se nenhum dos 24 candidatos oficialmente registados obtiver mais de 50 por cento dos votos, haverá uma segunda volta que se disputa no próximo dia 21.
“YUSHCHENKO É BOA PESSOA”
Vitaliy está em Portugal há quatro anos e meio e é operador de máquinas em Pinhal Novo. O melhor presidente para a Ucrânia será Yushchenko. “Já foi primeiro-ministro e é boa pessoa”, realça, frisando que o candidato “é mais ucraniano que os outros”. Vitaliy viu a campanha pela TV, via satélite. (Vitaliy Bordiyanchuk, 29 anos)
"PRÓ-OCIDENTE É MELHOR"
É o terceiro chefe num armazém de alumínios em Trajouce e veio da cidade de Ternopil há três anos. Nikola Darmohrai considera que Viktor Yushchenko será a melhor escolha para a Ucrânia. “Pró-Ocidente é melhor, ele gosta da Europa, é o mais democrático”, garante o cidadão ucraniano, que espera que as eleições de ontem “consigam melhorar o país”. (Nikola Darmohrai, 44 anos)
"NÃO TENHO REGISTO"
Dmitriy, servente de obras, deseja uma Ucrânia mais aberta à Europa e por isso é apoiante da candidatura de Yushchenko. “Vamos ver, ele promete coisas boas”, diz. Mas Dmitriy não pôde exercer o seu direito de voto. “Ainda não tenho registo na embaixada”, explicou. O visto foi renovado há pouco tempo e “não sabia que para votar tinha de registar” até uma semana antes. (Dmitriy Kozlov, 33 anos)
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