"A perseguição política de Jimmy Lai e dos ex-executivos e jornalistas do [jornal] Apple Daily prejudica a reputação de Hong Kong", sublinhou o comunicado.
A União Europeia (UE) condenou esta segunda-feira a sentença de 20 anos de prisão imposta a Jimmy Lai, empresário ligado aos meios de comunicação, por um tribunal de Hong Kong e exigiu a sua libertação imediata.
"A UE deplora a severa pena de prisão de 20 anos imposta ao cidadão britânico e empresário dos 'media' Jimmy Lai pelo Superior Tribunal de Hong Kong, em 9 de fevereiro de 2026", lê-se no comunicado publicado pelo Serviço de Ação Externa da União Europeia.
Segundo o serviço diplomático do bloco europeu, "a UE reitera o seu apelo à libertação imediata e incondicional de Jimmy Lai, tendo também em conta a sua idade avançada e o seu estado de saúde".
"A perseguição política de Jimmy Lai e dos ex-executivos e jornalistas do [jornal] Apple Daily prejudica a reputação de Hong Kong", sublinhou o comunicado.
Segundo o documento, a UE apelou as autoridades da ilha "a restaurarem a confiança na liberdade de imprensa em Hong Kong, um dos pilares do seu sucesso histórico como centro financeiro internacional, e a cessarem a perseguição aos jornalistas".
Jimmy Lai, ex-magnata da imprensa pró-democracia de Hong Kong e crítico de Pequim, foi hoje condenado a 20 anos de prisão ao abrigo da lei de segurança nacional imposta pela China, que silenciou a dissidência na cidade.
Três juízes aprovados pelo Governo de Hong Kong pouparam Lai, cidadão britânico, atualmente com 78 anos, da pena máxima de prisão perpétua por conspiração e conluio com forças estrangeiras, ameaçando a segurança nacional, e por conspirar para publicar artigos sediciosos.
A juíza Esther Toh declarou que 18 anos da pena de Jimmy Lai devem ser cumpridos consecutivamente à pena de prisão no caso de fraude, pelo qual recebeu uma sentença de cinco anos e nove meses e que se encontra a cumprir.
Jimmy Lai, empresário e ativista pró-democracia, fundou o agora extinto jornal Apple Daily, encerrado em 2021. O seu julgamento tornou-se um dos processos judiciais mais emblemáticos desde a imposição da Lei de Segurança Nacional pela China na Região Administrativa Especial de Hong Kong.
Lai tinha sido condenado em dezembro e hoje conheceu a sentença. Dada a sua idade, a pena de prisão pode manter o ex-magnata atrás das grades o resto da vida. Os co-réus do empresário neste julgamento, seis antigos funcionários do jornal Apple Daily - entretanto extinto - e dois ativistas, receberam penas de prisão entre seis anos e três meses e 10 anos.
O Governo de Taiwan condenou a "dura" sentença de 20 anos de prisão imposta a Jimmy Lai, denunciando o uso "ilegítimo" da segurança nacional para "reprimir as liberdades fundamentais".
A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) considerou uma "sentença de morte" a condenação hoje a 20 anos de prisão do ex-magnata da imprensa pró-democracia Jimmy Lai pela justiça de Hong Kong.
Já a família de Jimmy Lai classificou a pena como "draconiana" e "cruel".
O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, afirmou hoje que o fundador do jornal Apple Daily, Jimmy Lai, "mereceu" a pena de 20 anos de prisão que lhe foi imposta.
Em um comunicado, John Lee afirmou que os 156 dias de audiências públicas "com grande volume de provas apresentadas" comprovaram que Jimmy Lai foi "um cabecilha desprezível e sem escrúpulos anti-China".
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